ARTIGO DE OPINIÃO: The winner takes it all

13/08/2025 18:27

Em Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, refere-se Madalena de Vilhena ao pai do seu primeiro marido, D. João de Portugal, como «nobre conde de Vimioso». Fala, pois, de Manuel de Portugal, filho de Francisco de Portugal, tendo sido este o primeiro conde de Vimioso[1]. Outra referência a esta casa ocorre quando Maria pede aos pais que a deixem ir visitar D. Joana de Castro, que se separa do marido, D. Luís de Portugal, neto de Francisco de Portugal e 4.º conde de Vimioso, para ingressar, com 43 anos, no Convento do Sacramento, que ela mesma fundou. E, ao falar com Telmo acerca do seu casamento com Manuel de Sousa Coutinho, como justificação, Madalena sublinha o «aprazimento» com que a «própria família» do seu primeiro marido, ou seja, a casa de Vimioso, o considerou.

Interessante é ver que, ao longo do tempo, o apelido dos senhores de Vimioso foi sofrendo alterações. Até ao 7.º conde, o nome da família era apenas «de Portugal». O apelido do 8.º conde expandiu-se para «de Portugal e Castro». Em meados do século XIX, o nome de família passou a contar, curiosamente, com «Sousa Coutinho», porque Maria José de Portugal e Castro, a herdeira do 13.º conde de Vimioso, Francisco de Paula de Portugal e Castro (1817-1865), casou com Fernando Luís de Sousa Coutinho, em 1858.

Garrett morreu em 1854, quatro anos antes desse casamento, longe de imaginar – cremos – que até os nobres de Vimioso passariam a ter «Sousa Coutinho» no nome.


[1] E senhor de Aguiar da Beira, em 1534, situação que parece não ter agradado nem a Francisco de Portugal nem à vila, mas a esta questão voltaremos oportunamente.

Fontes consultadas:

Aprender Madeira

A Monarquia Portuguesa

Costa, Fernando Jorge dos Santos e Portugal, João António de Sequeira Alves (1985), Aguiar da Beira. A História, a terra e as gentes. Edição da Câmara Municipal de Aguiar da Beira.

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