ARTIGO DE OPINIÃO – Subida do Salário Mínimo Nacional: desfazer mitos

13/10/2024 16:04

O salário mínimo nacional vai subir para 870 euros em 2025, um aumento de 50 euros face a 2024. O novo acordo de concertação social prevê ainda um aumento progressivo da remuneração mínima mensal garantida até 2028, ano em que atingirá os 1020 euros.

O propósito no artigo de opinião deste mês é desfazer alguns mitos relacionados com este assunto.

Há pouco tempo um trabalhador recebia um aumento de salário por mérito, ou porque produzia mais ou porque gastava menos.

As subidas previstas do salário mínimo, nos próximos anos, criam apatia e acomodação aos trabalhadores. Para que é que os trabalhadores têm de produzir mais e melhor se já têm a certeza que o salário vai aumentar.

A sensação que os trabalhadores têm que vão ter mais dinheiro na carteira é errada.

O aumento do salário mínimo nacional não implica aumento do dinheiro disponível no bolso dos trabalhadores. As empresas, com as margens apertadas que têm, não conseguem suportar os aumentos de salários impostos por decretos. Por consequência, tem que repercutir aumento o do salário mínimo no preço final dos seus produtos.

O aumento do preço de venda dos bens tem como consequência o aumento da inflação.

Para controlo e redução da inflação a medida mais eficaz é o aumento das taxas de juro, por consequência a diminuição de dinheiro disponível no final do mês.

A ideia que é apenas o salário mínimo que aumenta, é falsa. Se o salário mínimo aumenta, também o salário médio vai aumentar.  Mais gastos para as empresas, mais o preço final dos produtos e serviços tem que aumentar.

O aumento dos salários no Estado e nas empresas apenas pode ser feito de uma forma, através de ganhos de produtividade. Só assim as empresas têm condições para aumentar salários, porque se produz mais com menos custos. As margens de lucro das empresas aumentam e assim conseguem aumentar salários.

Os aumentos de salários não se decretam.

O aumento do salário mínimo apenas serve uma entidade: o Estado, com o aumento das receitas para a segurança social, por via do aumento do salário mínimo nacional e do salário médio, e das receitas do IVA resultante do aumento dos preços da venda dos bens e serviços.

Pedro Silva

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