Quando li o livro “Como um romance” do professor e escritor francês, Daniel Pennac, fiquei maravilhada, identificando-me com tudo o que este autor referiu. Li e reli várias vezes pelo puro prazer de sentir a magia das suas palavras. Enquanto professora e, acima de tudo, enquanto mediadora de leitura, cujo objetivo primordial é cativar as crianças/jovens para a leitura, levando-os a tornarem-se e a permanecerem verdadeiros leitores, registei e refleti com particular interesse sobre “Os Dez Direitos Inalienáveis do Leitor”. Considero que o respeito pelos mesmos é um dos melhores caminhos para levarmos as crianças e os jovens a tornarem-se leitores. A minha experiência, enquanto professora bibliotecária e enquanto mãe, mostra-me que nem sempre é fácil respeitarmos alguns desses direitos, sobretudo quando colidem com as imposições da escola! Como fazer quando um aluno/filho exige que se respeite “O direito de não ler (1)” e vai realizar uma prova sobre aquele determinado livro?! Como fazer quando exigem que se respeite “O direito de não falar do que se leu (10) ”, na altura em que tem que fazer uma apresentação oral sobre essa obra? De facto, não é fácil, mas é fundamental que respeitemos esses direitos se não queremos perder a nossa credibilidade, e, sobretudo, se queremos que os nossos alunos/filhos se tornem e permaneçam leitores. Considero que, nestas situações, como em muitas outras na vida, a solução reside na capacidade de diálogo e na flexibilidade dos adultos.
Por outro lado, ficamos deliciados quando vemos os nossos alunos/filhos a exercer outros direitos! Como é bom vê-los a ler “na casa de banho, no carro, na paragem do autocarro, na praia, no jardim da escola… (7)”, tão embrenhados na leitura que não dão conta do tempo passar e chegam atrasados às aulas, perdem o autocarro, são molhados por uma onda…
É tão gratificante quando damos conta que os nossos alunos/filhos exercem “O direito de reler (4)” e, a cada leitura que fazem com prazer, descobrem novos pormenores e encontram novos sentidos e os partilham connosco!
Em suma, estou plenamente convicta que só respeitando estes direitos, as crianças/jovens conseguem descobrir o verdadeiro prazer da leitura. Sentir a magia e a felicidade que a mesma traz às suas vidas, não conseguindo por isso, viver sem ela. Assim, a leitura torna-se irremediavelmente um vício!
















