Parece que as estradas vão ficar sem apoio dos fundos europeus do “Portugal 2030”, nos termos do acordo a celebrar entre o nosso país e a Comissão Europeia.
Parece-me bem, a mim e a qualquer cidadão esclarecido e responsável, excluindo deste juízo talvez as grandes empresas de construção, que viveram durante anos à conta e à sombra de investimentos monstruosos em obras megalómanas, absolutamente dispensáveis, apenas sinais dos ricos.
Depois de anos e anos sem estradas dignas, que dificultavam a mobilidade interna e as exportações, afastando investidores estrangeiros, importantes para a prosperidade da nossa economia, passámos para o oposto. Hoje, temos um país, cortado às fatias por auto-estradas, IPs e ICs, alguns completamente às moscas, e que por serem insuportáveis do ponto de vista do funcionamento e manutenção, pagamos todos com portagens, mesmo sem haver trajectos alternativos.
O Estado fez a asneira e o povo é que paga a incompetência dos políticos e dos gestores que, em tempo de vacas gordas, e parecendo ignorar os ciclos económicos, desataram a construir à larga e a gastar à fartazana, sem se preocuparem, primeiro, com a sua necessidade, e segundo, com o seu pagamento.
Começaram por prometer que nos IPs e os ICs a circulação era sem custos, e quando se viram sem metal logo carregaram no dorso do pobre do lusitano.
Já chega de alcatrão e de betão, de pedra e de cascalho já estamos bem servidos, com a graça de Deus.
Venham de lá, então, investimentos estruturais no turismo sustentável, que ainda é o que nos vai valendo, na hora do aperto e da desgraça. No sol e no mar, no clima e na costa, há um filão por explorar, que chega a ser difícil entender a razão pela qual as apostas não têm sido direccionadas nesse sentido.
Portugal precisa de rasgo, de inovação, de ousadia, de diferença, mas com conta, peso e medida.
Mas que os projectos sejam razoáveis, à nossa dimensão, nada de obras faraónicas, sugadoras do erário público, delineadas à imagem do umbigo dos decisores que gostam sempre de deixar uma marca, mesmo que o sinal da sua passagem se venha a revelar uma mancha.
E que não se aproveite para replicar no interior, os males, desgraçadamente, feitos nos Algarves.
Com jeitinho, honestidade, e alguma humildade, trabalhando à nossa escala, temos milhões para transformar, de facto, o país, modernizar o Estado, emagrecendo-o das adiposidades, apostar na qualificação dos portugueses, dar tracção ao tecido empresarial, tornando-o mais competitivo.
















