ARTIGO DE OPINIÃO: Os “pré-juízos” da CP – Comboios de Portugal

24/10/2021 19:30

No artigo de opinião deste mês iremos analisar a situação de outra empresa publica portuguesa, a Comboios de Portugal, E.P.E., que todos conhecemos como CP.

A empresa foi criada em 11 de maio de 1860 pelo empresário espanhol José de Salamanca y Mayol com o nome de Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, para construir as linhas ferroviárias no Portugal da época.

Após a Implantação da República Portuguesa em 5 de Outubro de 1910, mudou o seu nome para Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Na primeira metade do Século XX, passou por um processo de expansão, incorporando várias empresas privadas do setor e os caminhos de ferro que tinham estado sob a gestão do Governo Português

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi necessário nacionalizar a empresa, surgindo a empresa Caminhos de Ferro Portugueses, E.P..

Esta empresa foi profundamente modificada em 1997, quando lhe foi retirada a gestão das infraestruturas, ficando a CP somente com a exploração dos serviços ferroviários. 

Na sequência desta alteração, em 2009 o nome legal da empresa foi modificado, passando a ser Comboios de Portugal, E.P.E. 

Desde do ano de 1974 a empresa presta um serviço publico de transporte a pessoas mais desfavorecidas e mais afastadas dos centros urbanos, originando défices operacionais na atividade da empresa, em especial no serviço regional.

Os défices operacionais implicaram o recurso a crédito bancário para assegurar a continuidade da atividade da empresa. Nos últimos anos a CP acumulou uma divida gigantesca e praticamente incontrolável, que lhe sugou os poucos meios que conseguia libertar da sua atividade operacional. 

Face a esta situação, o investimento na renovação das frotas de comboios não foi realizado, as condições de trabalho e o serviço deterioram-se e face à falta de recursos para investir a empresa perdeu também o “comboio” da inovação e da aposta em novas tecnologias. 

No final de 2020 a divida da CP era de 2,1 mil milhões de euros.

O Orçamento do Estado para 2022 prevê uma verba de 1,8 mil milhões de euros para baixar a dívida da CP. Por outras palavras um perdão de dívida pago pelo Estado.

À semelhança da TAP, mais uma vez a conclusão é a mesma: o estado é mau gestor!

A fatura dos erros de gestão será uma vez mais paga pelo contribuinte.

De uma forma clara e direta, por todos nós.

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