No artigo de opinião deste mês iremos analisar a situação de outra empresa publica portuguesa, a Comboios de Portugal, E.P.E., que todos conhecemos como CP.
A empresa foi criada em 11 de maio de 1860 pelo empresário espanhol José de Salamanca y Mayol com o nome de Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, para construir as linhas ferroviárias no Portugal da época.
Após a Implantação da República Portuguesa em 5 de Outubro de 1910, mudou o seu nome para Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Na primeira metade do Século XX, passou por um processo de expansão, incorporando várias empresas privadas do setor e os caminhos de ferro que tinham estado sob a gestão do Governo Português
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi necessário nacionalizar a empresa, surgindo a empresa Caminhos de Ferro Portugueses, E.P..
Esta empresa foi profundamente modificada em 1997, quando lhe foi retirada a gestão das infraestruturas, ficando a CP somente com a exploração dos serviços ferroviários.
Na sequência desta alteração, em 2009 o nome legal da empresa foi modificado, passando a ser Comboios de Portugal, E.P.E.
Desde do ano de 1974 a empresa presta um serviço publico de transporte a pessoas mais desfavorecidas e mais afastadas dos centros urbanos, originando défices operacionais na atividade da empresa, em especial no serviço regional.
Os défices operacionais implicaram o recurso a crédito bancário para assegurar a continuidade da atividade da empresa. Nos últimos anos a CP acumulou uma divida gigantesca e praticamente incontrolável, que lhe sugou os poucos meios que conseguia libertar da sua atividade operacional.
Face a esta situação, o investimento na renovação das frotas de comboios não foi realizado, as condições de trabalho e o serviço deterioram-se e face à falta de recursos para investir a empresa perdeu também o “comboio” da inovação e da aposta em novas tecnologias.
No final de 2020 a divida da CP era de 2,1 mil milhões de euros.
O Orçamento do Estado para 2022 prevê uma verba de 1,8 mil milhões de euros para baixar a dívida da CP. Por outras palavras um perdão de dívida pago pelo Estado.
À semelhança da TAP, mais uma vez a conclusão é a mesma: o estado é mau gestor!
A fatura dos erros de gestão será uma vez mais paga pelo contribuinte.
De uma forma clara e direta, por todos nós.
















