Muitos de nós têm como preocupações principais as condições financeiras ou questões relacionais; muitos de nós nunca tiveram problemas ao demonstrar o nosso amor por quem gostamos e mostrar isso ao mundo. No entanto, esta é uma realidade que só quem é heterossexual consegue viver. Nunca fomos perseguidos, torturados, humilhados ou mortos por gostarmos de quem gostamos; nunca arriscámos ser presos pela nossa orientação sexual. Sempre pudemos viajar para qualquer lugar sem medo de dar as mãos a quem gostamos. Nunca nos expulsaram de lojas, de casa ou de cafés por gostarmos de alguém do sexo oposto, e desde pequenos que convivemos com histórias de amor entre príncipes e princesas, cavaleiro e donzela, que vemos filmes unicamente com casais heterossexuais – algo que quando demonstra a comunidade LGBT+ não é recebido da mesma forma.
No mês do Orgulho LGBT+ é nosso dever permitir e apoiar a sua visibilidade. Este é um mês dedicado à celebração do orgulho de, apesar de serem alvo de ataques constantes (desde o online até ao meio físico), continuam a sair à rua e a resistir aos ataques que lhes são dirigidos de forma gratuita. Há várias ideias erradas sobre a comunidade LGBT+. Pessoas LGBT+ não têm mais prevalência a praticar violência sexual que pessoas heterossexuais – aliás, estudos demonstram que, na verdade, pessoas heterossexuais que mantêm contacto próximo com familiares de uma criança colocam-na 100x mais em risco de serem vitimizadas do que quando com membros da comunidade LGBTQIA+ (onde as ocorrências caracterizam 0,7% do total de denúncias). Dizer que a comunidade LGBT+ abusa de menores é repetir informação mentirosa e caluniosa e promover o ódio e a intolerância com uma razão que não existe – até porque as pessoas desta comunidade não estão atraídas por menores de idade; são pessoas que estão em relações livres e esclarecidas, tal como as pessoas heterossexuais. Afirmar que é anti natura é também errado, dado que existem várias espécies de animais que mudam de sexo ou praticam atos homossexuais – como os morcegos, leões, ovelhas, entre outros. Dizer que a comunidade LGBTQIA+ tem mais doenças venéreas também é falacioso. Apesar de depender de país para país, em Portugal, doenças como a clamídia, a gonorreia e a sífilis são mais comuns entre homens jovens e heterossexuais, contrariando a narrativa de que a comunidade LGBT+ será a maior transportadora de doenças deste género.
Assim, neste mês do Orgulho LGBT+ de 2023, dediquemo-nos a saber mais sobre a sua história, a desmistificar crenças e a imaginar como é estar no seu lugar. A visibilidade importa, e conseguimos ver o quanto ela ainda incomoda quando observamos pessoas a apoiar o vandalismo, violência e criminalidade contra pessoas da comunidade LGBTQIA+. Viseu pode ser melhor. Nós podemos ser melhores.
REFERÊNCIAS
Jenny, C., Roesler, T.A., & Poyer, K.L. (1994) Are Children at Risk For Sexual Abuse by Homosexuals?” Pediatrics Vol. 94, No. 1, 41-44.
Lisboa e Porto são as zonas mais afetadas por infeções sexualmente transmissíveis
https://www.barcc.org/assets/pdf/Statistics_Download_-_LGBT.pdf
Subscreva a nossa Newsletter Informativa
Receba as novidades todas as semanas no seu email.
















