ARTIGO DE OPINIÃO: Natal

23/12/2021 18:30

Infelizmente, não tenho muitas memórias do Natal quando era criança. Tenho uma vaga ideia das festas do Jardim Escola e do anúncio das Bombocas, mas não mais que isso. Mesmo que faça um esforço, as minhas memórias mais longínquas prendem-se com as atividades que fazia com os meus avós no tempo mais quente.

No início dos anos oitenta, já com 11 ou 12 anos, talvez influenciada pelo que via na televisão e pelos meus amigos que iam à catequese e à missa, comecei a ir buscar ao pinhal junto da aldeia onde morava, um pequeno pinheiro que enfeitava com umas pequenas bolas, sinos coloridos e umas fitas brilhantes. Também colocava um fio de luzes que tentava distribuir uniformementepela árvore, mas que pareciam sempre poucas…

Foi também nesta altura que passei a ir buscar musgo para o presépio que comecei a adorar fazer. Idealizava cenários fantásticos para colocar as pequenas figurinhas de barro que a minha mãe começou aos poucos a comprar… O mais importante era, sem dúvida, o estábulo onde o Menino dormia: tinha que ser singelo e majestoso ao mesmo tempo, ocupando o lugar central. Das luzinhas que colocava em cima do pinheiro, uma tinha que coincidir com o telhado do estábulo, como se fosse uma estrela, uma luz que indicava a importância daquele local.

Depois de terminar ficava a contemplar o que eu produzira… claro que também brincava e por vezes mudava tudo de sítio!

Pelos meus 13, 14 anos ficava fascinada com os telediscos das músicas estrangeiras que nos chegavam através do Top + ou do Countdown trazendo imagens fantásticas de países cheios de neve, onde o Natal era fascinante e as pessoas eram sempre felizes. Quem não de lembra do “Last Christmas” dos Wham!?… ou “Do they now its Christmas? Sim!, isso para mim também era o Natal! Isso e o facto de poder ter uma roupa nova para estrear no dia 25.

Aos poucos, foi crescendo em mim uma ideia de Natal muito própria, que, confesso ao longo dos anos se foi modificando… Hoje, considero que somos nós que construímos o Natal de acordo com os nossos princípios, influênciados pelas nossas memórias, pelas nossas ideologias e pelos tempos em que vivemos.

Desejo-vos um Feliz Natal!

“A adoração dos Magos”, Grão Vasco, Francisco Henriques

Técnica: Pintura a óleo sobre madeira de carvalho

Dimensões: 131 cm × 81 cm

Localização: Museu Grão Vasco, Viseu


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