ARTIGO DE OPINIÃO: Instituições Sociais – O “voluntariado profissional” pode estar em risco.

29/05/2024 18:18

As Instituições Sociais, IPSS e Misericórdias, são administradas por pessoas que integram os Órgãos Sociais, nomeadamente a Assembleia Geral, Administração/Direção e o Conselho Fiscal. Estes cidadãos são eleitos pelos sócios ou Irmãos e no caso dos Centros Sociais e Paroquias são convidados pelos Párocos e aprovados pelo Senhor Bispo. Os responsáveis diretivos têm a missão de implementar um Plano de Atividades e Orçamento capaz de garantir o funcionamento dos serviços que presta, tendo sempre em consideração a sustentabilidade da Instituição.

Na maioria dos concelhos do interior, as IPSS e Misericórdias são as maiores Entidades empregadoras, com respostas sociais nas diferentes áreas da infância e juventude, dos idosos, da deficiência, no apoio aos mais carenciados e vulneráveis. São Entidades parceiras do Estado Português, assumindo-se como fundamentais para o cumprimento da equidade social no país.

As exigências aumentam cada vez mais, fazendo com que os seus Administradores ocupem uma grande parte do seu tempo a decidir ou a resolver assuntos do quotidiano das respostas socias.

Apesar de ser possível a aprovação de um salário para os Administradores, a maioria destas pessoas exerce esta atividade sem qualquer remuneração, independentemente do seu nível de responsabilidade. Os mandatos de quatro anos exigem conhecimentos, capacidade de decisão, envolvimento e disponibilidade de tempo.

No exercício destas funções voluntárias e solidárias estão expostos ao escrutínio público, sujeitos a todo o tipo de julgamentos sobre o funcionamento das organizações e, por vezes, com as suas vidas condicionadas, por consequência de alguma fragilidade ocorrida na prestação dos cuidados.

As Direções/Administrações são responsáveis pela gestão de todos os serviços, nomeadamente: os cuidados aos utentes, à atividade laboral, os fornecedores, o património e a sua conservação, parcerias e relações institucionais, entre outros.

Se um membro da Direção for empresário fica imediatamente condicionado, quanto à relação entre a sua empresa e a Instituição Social. O mesmo acontece quando a empresa é de um familiar. Nas localidades mais pequenas é difícil não existir uma qualquer relação entre os responsáveis da Direção e um fornecedor, correndo-se o risco de existir um acuso de favorecimento com benefícios próprios.

 Atualmente vivemos um período de enormes desafios estruturais, atendendo à realidade económica e financeira do nosso país.  São precisos voluntários capazes de encontrar estratégias diárias que visem a sustentabilidade e o sucesso da organização, sendo necessário despender muitas horas de dedicação a esta nobre causa social. Simultaneamente com todas estas funções, os voluntários têm uma vida familiar e exercem uma atividade laboral que lhes permite auferir de um salário.

Perante todas as exigências existem muitos cidadãos que preferem não se envolver nestes cargos de enorme relevância ou no fim de um primeiro mandato não se recandidatam. O cansaço da exposição pública vence a gratificação de servir o bem comum.

Só pode e deve ocupar este tipo de funções quem tem espírito de missão e está disponível para oferecer o seu conhecimento em prol daqueles que mais precisam. Contudo é importante mudar mentalidades e a configuração de fazer voluntariado em Portugal.

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