ARTIGO DE OPINIÃO: Desportos Individuais

23/02/2024 18:30

Em ano Olímpico, os recentes títulos mundiais conquistados pelo jovem nadador Diogo Ribeiro e pelo ciclista Iúri Leitão, fazem-nos sonhar com momentos de glória nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Depois das medalhas de ouro de Carlos Lopes (Maratona – Los Angeles 1984), de Rosa Mota (Maratona Seul 1988), de Fernanda Ribeiro (10.000 metros – Atlanta 1996), de Nélson Évora (Triplo Salto – Pequim 2008) e de Pedro Pablo Pichardo (Triplo Salto – Tóquio 2020), adensam-se agora as nossas esperanças de voltarmos a ter ouro olímpico através desta nova geração de atletas. Mas estarão os desportos individuais a ser apoiados o suficiente, para nos ser legítimo ter essas ambições? 

O desporto é uma das formas mais nobres de expressão humana, capaz de unir nações e promover valores como a superação, a disciplina, o trabalho em equipa e respeito mútuo. Nas competições olímpicas, atletas de todo o mundo têm a oportunidade de mostrar o seu talento e representar o seu país nas mais diversas modalidades desportivas, na sua maioria de índole individual. 

Em Portugal, a falta de apoio a essas modalidades é uma realidade que muitas das vezes passa despercebida, mas que tem um impacto significativo no seu desenvolvimento e promoção. A falta de cultura desportiva aliada à priorização dos desportos mais populares, faz com que os desportos individuais sejam muitas vezes negligenciados e enfrentem desafios adicionais para se manterem relevantes e competitivos, com as suas federações desportivas a indicarem o financiamento insuficiente, como principal causa da sua lentidão no crescimento e dificuldade de profissionalização dos seus atletas.

Com a maioria dos investimentos a serem direcionados para os desportos coletivos, os desportos individuais na maioria das vezes não recebem a mesma atenção da comunicação social, dos patrocinadores e das entidades governamentais. Por norma, estas modalidades só reúnem mérito para serem promovidas quando algum título de destaque é alcançado, situação que apenas suscita a sazonalidade da visibilidade e do reconhecimento, por parte da sociedade.

Para ser legítimo termos pretensões na obtenção de resultados desportivos olímpicos que se traduzam em orgulho nacional, existe a necessidade de que seja feita uma reestruturação das políticas de desenvolvimento desportivo, de forma que se passe a dar mais destaque à prática de modalidades individuais, com especial atenção na educação desportiva de crianças e jovens. Neste âmbito, o desporto escolar, as atividades extracurriculares e a disciplina de educação física, poderão ser importantes na captação de novos praticantes em áreas menos tradicionais.

Com esta introdução, será possível contribuir para o desenvolvimento da cultura desportiva mais ampla na nossa sociedade, sendo através dos filhos, que os pais passarão a ter contacto com outras realidades desportivas, aproximando-os dessas modalidades. 

Assim, o aumento do número de praticantes dará origem ao aparecimento de novos talentos, situação que, no que lhe concerne, contribuirá para o aumento de resultados de destaque, o que resultará no surgimento de maior interesse de destaque por parte da comunicação social, assim como no aumento de investimento financeiro por parte dos patrocinadores. Em simultâneo, justificar-se-á o aumento dos apoios das entidades governamentais, sendo expectável que se intensifique a construção de infraestruturas adequadas que permitam o desenvolvimento dessas modalidades, e se criem programas de incentivo à especialização e profissionalização de atletas nesses desportos. 

Como conclusão, a minha opinião encaminha-nos para uma realidade em que será sempre possível sonharmos com feitos olímpicos históricos, estando a sua diversidade e quantidade, diretamente dependentes de estratégias de desenvolvimento desportivo, que promovam a oportunidade de escolha e o apoio igualitário no universo de modalidades desportivas.


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