ARTIGO DE OPINIÃO: Despertar a Arte

02/03/2023 18:30

O que é afinal esta estranha e complexa “coisa” de se ser professor artístico? Na minha opinião, é ter a responsabilidade de se ser portador de uma luz guia da fragilidade e sensibilidade dos seus alunos, muito mais do que apenas o ensinamento da utilização e manuseamento das ferramentas técnicas que o vão especializar. A condução do processo que leva ao despertar da consciência artística pode ser gradual ou súbita e ocorre quando uma pessoa começa a valorizar a arte na sua vida. Por vezes, desencadeada por uma experiência pessoal significativa; uma exposição a uma obra de arte inspiradora; uma conversa com um artista ou simplesmente um desejo interno de explorar a expressão artística. É como uma voz interior que impele à procura do Belo, uma necessidade expressiva que se torna fundamental; uma catarse intelectual e emocional que não deve ser contrariada se se pretende seguir o rumo ao bem-estar e à realização pessoal e, consequentemente, à Felicidade.

É esse despertar da consciência artística que pode levar alguém a experimentar, desenvolver, explorar diversas formas de arte, como a pintura, a escultura, a música, a dança, o teatro, o cinema, a literatura e tantas outras formas de expressão criativa. Mas sobretudo – e quiçá mais importante – pode também e – na minha opinião, deve – inspirar esse alguém nos caminhos das suas próprias emoções, pensamentos, ações e experiências pessoais que, num final feliz, podem acabar por se transformar em obras de arte.

Nesse despertar para a consciência artística, o indivíduo pode e – na minha opinião, deve – perceber que a arte não é apenas uma forma de entretenimento para usufruto exterior a si, mas também uma ferramenta poderosa para comunicar ideias, emoções, causas, crenças e experiências humanas universais.

A arte é uma catarse, a compreensão de si mesmo e dos outros e de conexão com algo maior do que nós mesmos.

A consciência artística pode seguramente ser desenvolvida através da educação; da exposição a diferentes formas de arte; do diálogo com artistas e outras pessoas interessadas em arte e da prática da própria criação artística. É um processo contínuo e, eu diria, inesgotável para enriquecimento e transformação da vida de maneiras inimagináveis.

Acredito que a Arte é a verdadeira linha que separa o “estar vivo” do “viver”.

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