ARTIGO DE OPINIÃO: As Eleições

18/01/2022 17:30

Parece-me seguro que o PS ou o PSD, um dos dois vai ganhar as eleições. Parece-me a mim e a qualquer um dos eleitores. Os debates foram pouco ou nada esclarecedores, salvo o de Rui vs. Costa que abriu mais portas, embora nenhum se tivesse comprometido com calendários para o médio prazo. Contabilistas, atiraram números para entreter o pagode. Ficamos, portanto, a saber o que nos espera. Mais do mesmo, que é poucochinho. De registar que sobre cultura, ambiente e Europa, pasme-se, a Europa dessa ninharia do PRR, nem uma palavra. Estamos também por aí conversados.

Antes de se porem a caminho, conviria que os líderes alquimistas reflectissem sobre um estudo recente do ICS/ISCTE que, em vez das tendências de voto, avalia o sentimento, o estado de espírito dos portugueses para os próximos 9 anos, sobre a vida que lhes dói. Se o tivessem feito, talvez alterassem parte dos seus programas e as suas prioridades. Talvez.

Senão, vejamos:

1.50% dos portugueses acredita que, daqui a 9 anos, a vida de todos nós vai piorar;

2. 44% tem como certo que o nível de vida das famílias vai ficar pior e só 22%;

3. 42% está convencido de que a nossa economia vai ficar pior, relativamente aos países ricos;

4. No entendimento de mais de 30% dos nacionais, a qualidade dos serviços públicos vai piorar;

5. 77% dos portugueses acredita que vai haver aumento de impostos, 58% que continuará o despovoamento do interior, 54% crê que o desemprego e a precariedade do trabalho vão continuar a ser uma realidade, e 55% espera um agravamento dos problemas ambientais;

Estes números não são frios, como tantos outros. Traduzem uma falta de confiança e de desesperança nos nossos dirigentes políticos e na sua capacidade de inverter este ciclo de afastamento da convergência europeia. Significam um caminho errado das nossas políticas públicas, desenhadas, nos gabinetes, por académicos ilustres e versados, que trabalham com folhas Excel, mas desligados da realidade. Dizem muito sobre o fracasso do modelo escolhido pelos partidos para tornar o país mais competitivo e capaz de reduzir as desigualdades sociais. Sublinham o afastamento exuberante e perigosos entre eleitos e eleitores, caminho fácil para o aparecimento de populismos. São a fotografia do falhanço dos nossos políticos, artífices de manhas e artimanhas, incumpridores da palavra. Azar dos azares, é que os portugueses, de tão enganados por políticos sem escrúpulos, deixaram de acreditar. E não aparece ninguém que os faça acreditar. Pior do que tudo isto, é que, lidos bem os resultados desta consulta, estamos na iminência de mais uma década perdida.

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