ARTIGO DE OPINIÃO: As dúvidas mais frequentes sobre cirurgia do cancro da mama

16/10/2021 19:30

Perante o diagnóstico de cancro da mama é natural surgirem dúvidas principalmente ao nível dos tratamentos. É importante reforçar que os tipos de tratamento são variados e são criteriosamente escolhidos por um grupo alargado de especialistas de acordo com a especificidade da doença e as necessidades de cada doente. 

Esclareça as dúvidas mais comuns relativas ao tratamento cirúrgico. 

A cirurgia é a primeira opção para tratar o cancro da mama?

Sim, poderá ser. Cancros da mama diagnosticados numa fase precoce da doença, poderão ter a cirurgia como o primeiro passo no seu tratamento. Realço que quando há células malignas na axila (chamadas metástases), o tratamento poderá ser iniciado por quimioterapia. Mas conhecer o tipo e subtipo de cancro é fundamental para a orientação do caso clínico. Um dos princípios básicos na cirurgia por cancro da mama, é que a mastectomia nunca será a primeira opção. A relação tamanho do tumor e tamanho da mama é fundamental para essa decisão, pois nunca se deverá realizar uma cirurgia conservadora da mama (extrair apenas uma parte da mama), quando o aspecto estético pós cirurgia não for o correcto. Isto é, a cirurgia conservadora deverá ter um princípio estético importantíssimo e depende muito da experiência do Cirurgião. 

O que é a mastectomia e quando tem que ser feita?

A mastectomia é uma técnica cirúrgica em que se faz a extração total da mama. Há vários tipos de mastectomia que poderão ter indicação na cirurgia do cancro da mama. Uma indicação para mastectomia é quando uma possível cirurgia conservadora poderá ter um aspecto estético desfavorável. A mastectomia deverá ser efetuada nos tumores multicêntricos, isto é, espalhados por toda a mama, e no cancro da mama no homem.

O melhor tratamento é retirar a mama?

Não. Um princípio básico na cirurgia por cancro da mama é que em qualquer altura se pode tirar a mama. Isto significa que se uma doente fez cirurgia conservadora e passado uns anos tem novamente cancro na mesma mama (percentagem muito baixa após cirurgia conservadora), e tem de fazer uma mastectomia, o prognóstico da doença é igual, em termos de tempo livre de doença e da taxa de sobrevida, se de início fizesse cirurgia conservadora ou mastectomia. 

Terei que abordar a cirurgia da axila no tratamento do cancro da mama. Até há cerca de 20 anos, uma doente com cancro da mama tinha indicação para retirar os gânglios da axila (chamada linfadenectomia axilar), independentemente do tipo de cirurgia. A partir dessa data, surgiu uma técnica cirúrgica – a chamada biópsia do gânglio sentinela – que evita esvaziar toda a axila e permite retirar os gânglios identificados de uma forma precisa. Numa Unidade da Mama esta técnica é efetuada de rotina.

E depois da cirurgia? 

Depende de múltiplos fatores. Por exemplo, do subtipo de cancro, da cirurgia efetuada e do resultado definitivo da cirurgia. Basicamente, o tratamento pós-cirurgia passa por hormonoterapia (a toma de uns comprimidos anti hormonais), pela radioterapia (sempre efetuada quando se faz cirurgia conservadora) e pela quimioterapia (que tem as suas indicações muito precisas). 

Depois da cirurgia, é necessário manter o acompanhamento médico regular e seguir as recomendações da equipa clínica para uma boa vigilância e um bom prognóstico da doença.

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