A escravatura enquanto fenómeno social e civilizacional tem sido frequentemente objeto de controvérsia, sobretudo no que à construção do “império português” diz respeito. Países como o Brasil cresceram envolvidos pelos cenários sociais e culturais das raízes africanas, fartas de heranças nos quadros etnográficos e musicais e religiosos, ou no que à aculturação forçada diz respeito. A literatura de cá e de além-mar apresenta um vasto leque de obras que refletem este quadro de escravatura como suporte económico e cultural da construção dos impérios.
Jorge Marques, nosso escritor viseense com uma vasta obra editada, sobretudo na década passada e início desta que vivemos, trouxe-nos recentemente a obra “AS CORES DA MEMÓRIA”, resgatando mais uma vez numa narrativa ao mesmo tempo histórica e familiar, uma visão cronológica e cultural do fenómeno da escravatura no contexto da formação da(s) sociedade(s) e cultura(s) que hoje caraterizam e enriquecem o Brasil.
A narrativa, em jeito de “quase” romance, onde o autor desenvolve a tese de que todos somos África, recorre ao pretexto de um diálogo constante entre um filho e a sua mãe, herdeira dessa África distante (no espaço e no tempo) mas sempre presente nos tons da pele e dos instrumentos musicais, no canto e nos rituais de religiosidade.
A propósito do continente africano, o leitor é conduzido, através das Cores da Memória, pela História deste continente, atravessando povos e culturas, com a intenção de lançar um alerta sobre o racismo como forma de (in)consciência forjada.
Nesta obra singela podemos acompanhar a viagem dos negros escravos nos navios negreiros até terras da Bahia, por onde o escritor tem viajado e contacto os naturais ao encontro destas memórias de um país construído com o sangue, o suor e as lágrimas de milhões de africanos arrancados à força das suas raízes, obrigados a reconstruirem as suas almas e a sua cultura em terras de degredo.
Jorge Marques é Licenciado em Gestão dos Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho; Pós Graduado em Gestão; Coordenador e Docente na formação para executivos na Universidade Católica, Universidade Autónoma e INA nos domínios da Gestão de Recursos Humanos e Liderança. Trabalhou como executivo no Pão de Açúcar, EDP e SIC; trabalhou como Consultor em trinta e oito empresas e em vários países; colaborou na Imprensa económica “Semanário Económico” e “Jornal de Negócios” com artigos de opinião; autor de ficção e de Gestão e Liderança; Presidente da APG, da Federação Mediterrânica de Gestão de Recursos Humanos e da Federação Ibero Americana de Capacitação e Desenvolvimento; Prémio 1ST Generation HR pela Universidade Europeia – 2013; Prémio APG Mérito-2014. Recentemente foi galardoado com Prémio Animarte Produção Literária, pelo conjunto da sua obra narrativa.
















