A cada dia que passa, em todas as áreas da sociedade ocidental, incluindo obviamente as artes, e aos olhos do mundo, a falácia é tamanha, que tende a toldar até os espíritos mais argutos. Quem é afinal detentor da verdade absoluta, nesta pequena bola universal? Como pode alguém alcandorar-se a ter nas suas mãos o destino e a sobrevivência de toda uma espécie, manipulando tantas vezes uma realidade para que pareça normalizada perante a sua visão, por muito anacrónica ou doentia que esta seja?
E onde começa a mentira e acaba a verdade e vice-versa? A falácia, como referi, é abundante, infindável, viciante e infiltra-se em todas as esferas de vida social. São as plásticas que operam sorrisos por catálogo, são os filtros que tiram as fotografias que não sabemos tirar; é a comida que sabe ao mesmo em todo o mundo, como se as galinhas pusessem todas os mesmos ovos; são os discursos políticos que não são discursos, mas recados interpartidários; é a direita e a esquerda que se trocam e baldrocam; são os impostos disfarçados de benefícios fiscais e vice-versa; são as estatísticas encomendadas, os concursos públicos com vencedor prometido, os concursos televisivos com gráficos e animações de votos que nunca existiram, são as fake-news e as fake-news das fake-news, os video-árbitros viciados antes de existirem, e tudo e tudo e tudo, porque, onde o Homem pode meter a mão, o Homem mete a mão.
Dou exemplos artísticos:
Na área musical, nunca os cantores foram tão afinados, desde que existe o auto-tune! Tão afinados que já nem é preciso afinar. Ou ter brio em tentar, pelo menos. Basta rodar o botão com jeitinho.
No reino dos DJs, reina talento! Mas mesmo no reino dos DJs, há quem produza música e há os que passam …. (peço desculpa, penso que o termo correto é “tocam” – só que sem instrumento) a música que os outros produziram. Compra-se o software, roda-se o botão com jeitinho e… sai um DJ!
Até um aclamado jovem ídolo de milhares vi há dias tocar guitarra sem sequer lhe tocar com os dedos! Teve azar… Lá atrás, alguém que devia rodar o botão com jeitinho, distraiu-se e atrasou a entrada dessa verdade tão falaciosa.
Ora neste universo em que o preside é chegar lá, não importa como e, de preferência, sem grande esforço ou dedicação, a verdadeira mentira passou a ser “a verdade”.
Portanto, aplicando este jogo do faz de conta aos grandes interesses financeiros e corporativos, é fácil perceber que o acesso ao botão fatal da Humanidade nunca esteve tão acessível. Basta rodar com jeitinho.
Assumo-me então como um pacifico extremista, porque acredito que quem é moderado na proclamação da verdade, proclama somente metade da verdade e acaba por deixar a outra metade velada com medo do que o mundo dirá. E assim nos vamos iludindo.
















