ARTIGO DE OPINIÃO: A poupança em Portugal

06/02/2023 18:30

O conceito de poupança corresponde genericamente à diferença entre o rendimento disponível e o total das despesas de consumo efetuadas por um determinado agente económico, ou seja, é o que sobra depois de realizado o consumo de bens e serviços.

A taxa de poupança de um país reflete a sua capacidade e a dos seus agentes económicos, para em primeiro pagar as dívidas que contraíram e depois efetuarem despesas de investimento com o intuito de repor a sua capacidade produtiva.

Analisando o cenário no nosso país de acordo com os dados recentes publicados pelo EUROSTAT, a taxa de poupança bruta das famílias portuguesas caiu 97% no espaço de 9 meses, entre o 4.º trimestre de 2021 e o 3.º trimestre de 2022, para muito perto de uma taxa nula. De 7,7% desceu para 0,2% no 3º trimestre de 2022. 

Por cada 100€ disponíveis, as famílias pouparam apenas 0,2€ no 3.º trimestre de 2022. 

Se no período pandémico se assistiu a um cenário inverso, em que se verificou uma significativa redução do consumo por parte das famílias, o que conduziu a elevadas taxas de poupança, 19,3€ no 2.º trimestre de 2020 e 14,20€ no 1.º trimestre de 2021 por cada 100€ de rendimento disponível, a escalada galopante da taxa de inflação e a subida das taxas de juro no ano de 2022, conduziram à queda abrupta da taxa de poupança, com grande parte das famílias a utilizarem as suas poupanças para fazer frente à subida do custo de vida.

Esta realidade tem-se verificado em toda a Europa, mas de forma mais significativa em Portugal. Atualmente Portugal é o país com a mais baixa taxa de poupança das famílias.

Os rendimentos das famílias e agentes económicos em Portugal é baixo. A taxa de envidamento em Portugal é uma das mais elevadas da Zona Euro. A subida das taxas de juros por mais reduzida que seja, representa um aumento substancial nos valores das prestações a pagar no final de cada mês por cada família.

 A carga fiscal sobre o trabalho e consumo atingiu em 2021 o máximo histórico de 35,6% do PIB. 

O rendimento disponível das famílias e agentes económicos face aos encargos e imposições anteriores, “não chega para as despesas” com implicações diretas nas taxas de poupança.

Um país que não poupa, não consegue pagar o que deve nem investir, para se modernizar, produzir e gerar riqueza a fim de proporcionar condições de vida às gerações jovens, às gerações mais antigas, com reformas e complementos sociais dignos, e pior, não consegue criar condições para as gerações vindouras.  

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