A iniciarmos o mês de março, a sensação que nos invade é que o inverno finalmente começa a despedir- se e os dias de sol e temperaturas amenas estão a chegar.
No final de mais um inverno, um dos mais rigorosos dos últimos anos, a publicação recente de um estudo revela um dado preocupante na qualidade de vida dos portugueses: “16,4% dos portugueses não tem capacidade financeira para pagar os custos relacionados com o aquecimento adequado da sua habitação”. Isto significa que quase “um em cada cinco portugueses não tem dinheiro para aquecer a sua casa.”
Esta é a maior percentagem da União Europeia, cuja média se fixou em 6,9% em 2021. Apesar de Portugal comparar mal a nível europeu, a tendência, na última década, tem sido para a redução desta percentagem (em 2012 fixava-se em 27%).
Em comparação com os restantes países da União Europeia, apenas na Bulgária, Lituânia, Chipre e Grécia, há uma maior percentagem de cidadãos que não consegue pagar o aquecimento da sua casa. Em sentido positivo, destacam-se a Finlândia e a Suécia, a Eslovénia e a Áustria.
O problema afigura-se cada vez mais grave em função das alterações climáticas verificadas últimos anos. A evolução destes fenómenos aponta para invernos cada mais frios e rigorosos.
Num país em que a taxa de habitação própria é uma das mais elevadas do mundo, a reflexão que deve ser feita, é que não basta apenas “ter” casa.
A posse não é sinónimo de qualidade e conforto. Ao valor da construção há que juntar o valor do conforto, eficiência e manutenção da casa. Na totalidade dos casos, o valor despendido depois de construído e ao longo de toda a vida do imóvel, é bastante elevado, gastos que o ordenado mensal médio de cada cidadão português proprietário de uma habitação não consegue comportar.
A habitação em Portugal necessita de uma reflexão urgente e uma mudança de paradigma radical.
Nem todos podemos nem devemos ser proprietários!















