O Orçamento chumbou e o governo, num sopro, apagou-se. Feneceu. Dobraram os sinos, avisando o povo todo, mesmo o que teimava em não crer no deslaçar estrondoso de uma solução, geneticamente tão precária.
A “geringonça”, que o sustentava ia para 6 anos, continha contradições uterinas, absolutamente insanáveis, que só aguardavam o momento certo para se manifestarem e darem cabo de uma construção inovadora, mas sempre a prazo e de equilíbrio instável.
Durante uma meia dúzia de anos, não houve uma reforma, uma estratégia, uma visão para o país, um desígnio nacional. De cedência em cedência, assistiu-se a uma governação casuística, com a reversão de algumas medidas da “troika”, as mais antipáticas, que, não sendo pouco, foi quase só.
A relação conflituosa, impertinente e ingrata – quem, por ingenuidade, ainda fala em gratidão na política? – do PS com o BE e as perdas eleitorais do PCP, nas últimas autárquicas, estrangularam o que, a cada passo, já vinha dando sinais de um definhamento inexorável.
E um casamento por conveniência acabou como terminam os da sua igualha, com acusações mútuas, exageradas e dispensáveis, e lavagem de roupa suja, na praça pública.
De tal modo que, António Costa, numa pirueta completa, e sem qualquer rebuço, já admite acordos pós-eleitorais com o PSD, o mesmo partido que, há uns anos, no mesmo país e com o mesmo líder, ele ostracizava, classificando um eventual acordo como condição de queda do governo.
Seguem-se agora, no PSD e no CDS, as guerras intestinas, as que mais moem, mais feridas causam e mais contas deixam em aberto, enquanto o partido do governo, de casa arrumada, vai, inteligentemente, fazer os possíveis para capitalizar, o mais que puder, medidas populares que tenha à mão, como o aumento das pensões e dos salários da função pública. E vitimizar-se, fazer-se de coitadinho, que é um expediente em que o PM é mestre, com carta de marinheiro.
A maioria absoluta, ao que se diz, o sonho de António Costa, e a condição de estabilidade para a governança, segundo a opinião de doutos analistas e politólogos, parece ser uma miragem, restando as coligações ou os acordos pontuais como solução para a crítica gestão do PRR e dos fundos do Portugal 2030, os papões que se agitam, como oportunidade que não se pode perder e condição de desenvolvimento sustentado.
Não acredito que seja alcançável, nem dela sou adepto. Creio mais nas virtudes dos acordos de regime, área onde se revelam, e valem, os verdadeiros e excelsos estadistas.
















