ARTIGO DE OPINIÃO: A inflação

09/03/2023 18:30

Esta coisa estranha de a inflação, esse terrível e temível imposto escondido, mostrar tendências, embora suaves, de descida, e o custo dos bens alimentares continuar a subir para valores inimagináveis tem que se lhe diga.

Eu não tenho a varinha de condão que faça luz sobre o mistério, nem acredito que as autoridades a possuam, mas para bem de todos é bom que o nó cego se desfaça.

Ao que consta, brigadas das autoridades com competência de investigação já estão no terreno, levando na mira o deslindar do segredo.

Ou é o produtor, ou é o armazenista, ou é o distribuidor, ou é o vendedor a retalho, um deles isoladamente, ou todos mancomunados, aproveitando-se da percepção que a guerra nos trouxe, para esmifrarem o elo mais fraco da cadeia económica, que é sempre o consumidor.

Seja lá quem for, alguém anda a abusar do momento, eternizando uma situação de crise, obtendo ganhos indevidos com situações fictícias.

Diga-se que não é de admirar esta tendência mesquinha do português se aproveitar das más situações para recuperar das perdas.

Numa frase, querem ganhá-lo todo de uma vez.

Vejamos o que se passou com a crise sanitária provocada pela Covid.

Quando os cafés reabriram, o preço do café subiu, sem nada que o justificasse, apenas com o intuito de os proprietários recuperarem as perdas acumuladas no período de confinamento.

E hoje não há lojinha de pechisbeque que não cobre pelo saquinho de papel onde aconchega o adereço, pequeno ou volumoso, tudo em nome da breve recomposição dos lucros.

Se não fossem estes expedientes ligeiros, estou certo de que se encostariam ao Estado para mais uma pedinchice, que nessa arte levamos a medalha de ouro, com direito a Hino Nacional.

Porque o “tuga” tem mão ligeira para depressa arranjar artimanhas que lhe diminuam os prejuízos, não me admira que ande matreirice folgada nesta contínua subida dos preços dos bens alimentares.

Posto isto, que haja mão firme e severa para estes crimes, pois que pesado é o fardo que os consumidores há um ano carregam às costas vergadas. E não é certo que quem dá o fardo, dê também as forças para o suportar.

O momento não é para contemplações nem para tolerâncias para com quem se aproveita das situações economicamente adversas e socialmente penalizadoras.

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