ARTIGO DE OPINIÃO: A inflação é temporária?

17/04/2022 18:00

Numa economia de mercado, os preços dos bens e serviços estão sujeitos a variações. Alguns preços sobem, outros descem. A inflação ocorre quando se verifica um aumento generalizado dos preços dos bens e serviços, não apenas de artigos específicos.

De uma forma direta: significa que, com 1 euro, se compra menos hoje do que ontem. Por outras palavras, a inflação reduz o valor da moeda ao longo do tempo.

De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação em Portugal atingiu no mês de março de 2022 os 5,3%, um máximo de 28 anos, com os produtos energéticos (eletricidade e combustíveis) ao nível mais elevado desde 1991.

O fenómeno da inflação verifica-se igualmente nos restantes países da União Europeia.

Espanha registou uma taxa de inflação de 9,8% em março de 2022, e a Alemanha tem atualmente uma inflação anual de 7,3%, a maior variação desde 1990. Na zona euro a inflação disparou para 7,5%.

A inflação tem subido sobretudo por causa da escassez de matérias-primas e pela quebra das cadeias logísticas causadas pela pandemia, bem como pela subida dos preços da energia. A subida da inflação está relacionada igualmente com o excesso de liquidez provocada pelas injeções de capital e pelos programas de compra de divida levadas a cabo pelo Banco Central Europeu nos últimos anos.

A subida generalizada de preços começa a ter um impacto direto nos rendimentos das famílias. O valor dos salários e do rendimento disponível sofre um decréscimo por consequência do aumento dos preços, ao qual se deverá juntar o efeito do aumento das taxas de juros que irá acontecer brevemente.

A inflação tem uma relação estreita com as taxas de juro. Quando os juros estão em níveis tão baixos e os bancos centrais estão muito ativos a comprar dívida, há maior liquidez, logo uma maior propensão a consumir e, por conseguinte, há mais procura. Havendo mais procura, pode criar-se um desequilíbrio entre a quantidade de bens e serviços procurados e os que são oferecidos, fazendo os preços subir.

A inflação veio para ficar, não é temporária.

Vamos viver pior em 2022 e 2023. É altura para parar, refazer planos, repensar investimentos e financiamentos, reorganizar despesas. Em todos os extratos da sociedade, e principalmente naqueles que dependem de rendimentos fixos como os pensionistas.

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