ARTIGO DE OPINIÃO: A Grande Substituição – Vegetal

25/04/2023 17:00

A teoria original da Grande Substituição surgiu no século XIX, tendo sido popularizada mais tarde por Renaud Camus. A teoria original defende que a população europeia branca corre risco de desaparecimento devido à entrada ou existência de pessoas não brancas no território continental. Apesar da teoria da Grande Substituição ser largamente desacreditada pela falta de factos que comprovem algum resquício de veracidade ou plausibilidade, vivemos hoje em dia uma Grande Substituição, sim, mas vegetal.

Passando a explicar, a entrada de espécies vegetais estrangeiras na flora europeia – como o eucalipto, uma árvore oriunda da Oceânia e de crescimento rápido e de fácil combustão, secando e erodindo os solos onde se instala, facilitando incêndios mais dificilmente controláveis e reduzindo a biodiversidade das redondezas, por vezes tornando a região numa monocultura (eucaliptal); entre vários outros exemplos.  Estas plantas entram no território através de meios de transporte e comércio internacional feitos possíveis através da liberdade de movimentos exposta no artigo 21º do Tratado do Funcionamento da União Europeia. No entanto, não há ainda nenhum mecanismo criado para monitorização e recolha de informações, o que, juntamente com a inércia no combate da sua propagação pelo território, afeta vários setores económicos, nomeadamente pela degradação dos solos (fertilidade, alteração química, resiliência às alterações climáticas). Isto porque estas espécies propagam-se rapidamente, retirando capacidade de propagação à vegetação nativa, eventualmente substituindo-a, e sufocando corpos hídricos e vida ali existente, e disseminando novas doenças às populações e fauna locais.

Este é um problema que se reflete no erário público. Entre 1960 e 2020 foram gastos €116.61 mil milhões em países europeus, sendo 60% dos gastos destinados à reparação de danos. Os setores mais impactados acabam por ser os da agricultura, das florestas, da saúde e piscatório (entre outros, como o do bem-estar social e a governança).

A nós interessa combater esta inércia relacionada com a prevenção de disseminação de espécies de plantas invasivas, dado que Portugal é também um país afetado por este problema, tendo os custos estimados acumulados associados à invasão biológica atingido os US$7.89 mil milhões entre 1960 e 2020, não descurando que à medida que o tempo passa os custos vão sendo cada vez mais avultados, uma situação que é agravada pela falta de informações sobre as plantas invasivas existentes no território, escassez de recolha de informações e dados sistemática, recorrente e metódica, juntamente com um sistema uniforme de monitoramento concreto e em harmonia com os demais países da União.


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