Todos conhecemos alguém que toma diariamente algum suplemento vitamínico para melhorar imunidade, para evitar a queda de cabelo, para aliviar o cansaço, ou simplesmente “porque dizem que faz falta”. Na verdade, qualquer farmácia, parafarmácia ou supermercado tem prateleiras inteiras de vitaminas, minerais e “complexos” que prometem o reforço do sistema imunitário, mais energia, memória reforçada e até longevidade. Mas será mesmo assim?
A ideia é sedutora, mas a verdade científica é menos entusiasmante do que a publicidade.
Os estudos científicos mostram que, para a maioria das pessoas saudáveis, os suplementos vitamínicos não trazem benefícios relevantes na prevenção de doenças, nem parecem prolongar a vida. Quando não há défice, o excesso de vitaminas não traz benefícios adicionais e, em alguns casos, pode até ser prejudicial.
O nosso organismo precisa de vitaminas e minerais em quantidades específicas que, na ausência de condições específicas, são asseguradas por um estilo de vida saudável. A ideia de que “mal não faz” não é totalmente correta, já que algumas vitaminas podem acumular-se, interferir com medicamentos e dar uma falsa sensação de segurança que afasta do que realmente faz diferença.
O que faz realmente diferença e protege a saúde é surpreendentemente simples: alimentação variada, sono reparador, exercício físico, descanso e relações sociais. Nenhum “complexo vitamínico” substitui estas medidas.
Isto não significa que os suplementos não tenham lugar. Pelo contrário, são fundamentais em situações específicas como a gravidez, dietas restritivas, doenças que afetam a absorção ou défices comprovados em análises, devendo a sua toma ser orientada por profissionais de saúde.
O problema surge quando são vistos como “seguro de saúde universal” e são tomados como “atalho” para a saúde, ao invés de se investir em alimentos frescos, atividade física, sono adequado e acompanhamento médico regular.
Vivemos numa época em que procuramos soluções rápidas para problemas complexos, mas antes de iniciar um suplemento vitamínico vale a pena refletir se estamos a tentar resolver com um comprimido algo que pertence ao estilo de vida.
Se houvesse uma vitamina capaz de compensar noites mal dormidas, stress crónico, sedentarismo e alimentação desequilibrada, provavelmente já seria considerada uma das maiores descobertas da medicina.
Apesar da febre das vitaminas, a verdadeira prevenção ainda não vem dentro de um frasco e a melhor estratégia continua a ser menos apelativa e mais eficaz: cuidar do básico.
Valéria Garcia









