O antigo Cônsul português, Aristides Sousa Mendes, vai ser homenageado com honras de Panteão Nacional, na forma de um túmulo sem corpo, já que não haverá trasladação. O corpo mantém-se no cemitério de Cabanas de Viriato.
Aristides de Sousa Mendes foi cônsul-geral de Portugal em Bordéus, França. Em 1940, contra ordens superiores de Lisboa, o diplomata português salvou milhares de famílias, fugidas à perseguição nazi, facultando vistos de entrada em Portugal.
A cerimónia terá início às 11 horas. Contará com a presença do presidente da República, do primeiro-ministro e do presidente da Assembleia da República, bem como de membros da família de Aristides de Sousa Mendes.
Na agenda está o descerramento de uma placa simbólica na Sala 2, onde se encontram sepultados o general Humberto Delgado, a poetisa Sophia de Mello Breyner, o escritor Aquilino Ribeiro e o futebolista Eusébio da Silva Ferreira. Será a primeira homenagem do género feita pelo Parlamento no Panteão.
A decisão de não trasladar o corpo de Aristides de Sousa Mendes para Lisboa foi tomada pelo Parlamento, de modo a respeitar o desejo do próprio, que quis ser sepultado na terra natal, junto da família. O diplomata, que morreu em 1954, está no cemitério de Carregal do Sal.
Durante décadas o nome de Aristides foi quase apagado da história, chegou a ser considerado por muitos como um rebelde que desobedeceu às ordens recebidas.
Para a investigadora no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, Cláudia Ninhos, é importante as escolas estudarem e darem a conhecer o nome de Aristides Sousa Mendes, bem como as suas acções.
No tempo atual, sublinha a investigadora, é essencial a existência de valores como a empatia pelo outro e a solidariedade. O tema da Segunda Guerra Mundial é de grande interesse para os jovens nas aulas. Eles têm muita curiosidade em saber mais. E num momento em que se fala tanto sobre refugiados e extremismos, a investigadora diz que é fundamental olhar para o passado e perceber o presente.
















