ARTIGO DE OPINIÃO – Gastronomia, enologia e turismo: A harmonização perfeita

24/03/2026 18:15

O fim-de-semana de 14 e 15 de março ficará para a história como um enorme passo no rumo certo do esforço que a autarquia de Oliveira de Frades está a fazer em prol da divulgação turística. não apenas e só do seu concelho, mas em toda a região de Lafões, com a iniciativa da 1ª Rota da Cabidela e dos Vinhos de Lafões.

Para que esta iniciativa alcançasse o sucesso desejado, o município oliveirense teve como parcerias a sua confraria local, a Confraria Gastronómica do Frango do Campo, e a confraria da região, a Confraria dos Gastrónomos de Lafões. A esta iniciativa foi muito relevante a adesão da restauração e alojamento local, pois de imediato aderiram 14 restaurantes, que tiveram na sua ementa uma das suas mais preciosas iguarias, o Arroz de Cabidela, e 13 dos alojamentos locais promoveram um desconto de 10% durante a estadia da realização do evento.

A preparação deste evento foi muito bem cuidada e teve uma amplitude mediática satisfatória, desde a TV até às revistas nacionais da especialidade, passando pela imprensa distrital e local, que honraram o evento com a sua presença no local durante o certame.

Na vertente turística, destacou-se a visita ao Dólmen de Antelas, ao futuro Centro Interpretativo da Linha do Vouga e a realização do percurso pedestre PR2 – Rota do Gaia, com uma fantástica participação, e ainda, pelos testemunhos de alguns visitantes que vieram fora com concelho de Oliveira de Frades, que aproveitaram a vinda para saborear o delicioso Arroz de Cabidela para conhecer outros locais do concelho.

E foi neste clima de inserção da rota turística com a degustação da cabidela que residiu a génese do evento, pois o turista que visita determinado lugar quer ser surpreendido com o melhor da gastronomia, conforme referenciou durante a Mesa Redonda da tarde do primeiro dia Elisabete Nunes, da Aldeia da Prova, na qualidade de Confreira da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, quando referiu na sua intervenção que “a mesa farta de Lafões tem uma qualidade inigualável”, que consequentemente faz elevar o palato para as provas do vinhos de Lafões, que cada vez mais vão apostando na sua qualidade.

Sinal dessa qualidade foi dada a degustar pelos nove produtores da região na Feira dos Produtores dos Vinhos de Lafões que marcaram presença no epicentro do evento, no Cineteatro Dr. Morgado – Casa das Artes de Oliveira de Frades, qualidade essa reforçada durante a sessão de sábado com a Prova de Vinhos, pelo enólogo Constantino Ramos, e no domingo com uma sessão de Masterclass e Degustação de Vinhos, pela enóloga Teresa Colaço do Rosário.

Essa qualidade foi posta à prova durante as sessões de Harmonização com Vinhos de Lafões que integraram os momentos de cozinha ao vivo (Showcooking) por parte do Chef Luís Almeida, com a Harmonização de Constantino Ramos, no sábado. Para domingo estava reservado o palco, neste caso a cozinha, à Chef Inês Beja, ficando a Harmonização por parte do Sommelier António Lopes, que igualmente fez sobressair os néctares de Lafões durante o Showcooking do Chef João Eustáquio.

Se desse momento de harmonizações sobressaiu a casta Dona Branca como rainha das provas, não ficou indiferente aos presentes que saborearam as inovações que os Chefs proporcionaram com diversas e alternativas formas de fazer a cabidela.

Para o final fica um dos pontos mais altos do evento no que concerne à temática da gastronomia, enologia e turismo, com a realização da Mesa Redonda “Gastronomia, inovação e desenvolvimento local”, sob a moderação de Carlos Cardoso, Coordenador da ADDLAP, em que palestraram Elisabete Nunes, da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, João Moitas, da Confraria dos Gastrónomos do Frango do Campo, e a enóloga responsável pelos textos do livro publicado pelos Gastrónomos de Lafões “Vinhos de Lafões – Um terroir único por descobrir”.

Resumindo esse momento, foram colocadas na mesa algumas considerações pertinentes, pois se por um lado os vinhos de Lafões demonstram a sua qualidade, sobressai que a sua produção ainda representa apenas 0,1% da produção dos vinhos do Dão, e ficou patente que ainda há um enorme caminho a percorrer, pois na restauração local os vinhos de Lafões continuam a ser de alguma forma menos valorizada face a outras opções.

Contudo, ficou provada na Mesa Redonda que a iniciativa desta Rota é mais um importante passo na divulgação turística, no reforço de que os milenares vinhos de Lafões, conforme referiu Teresa Colaço, têm imensa qualidade e ainda que a gastronomia é abrangente a todos os gostos, conforme referiu Elisabete Nunes, que fez uma excelente palestra sobre a “mesa farta de Lafões”, que começou com a descrição pormenorizada da composição de uma simples mesa com uma toalha de branca na mesa, passando pelas sopas, pratos principais e sobremesas, dos detalhes saborosos na louça que servem essas iguarias. Terminou a sua intervenção com a importância que as confrarias têm na preservação gastronómica da região e com a apresentação dos livros editados pela Confraria dos Gastrónomos de Lafões: A Carta Gastronómica de Lafões, o livro das Ervas Aromáticas, o livro do Chefe Silva – Memórias Gastronómicas de Lafões e o já mencionado livro dos vinhos de Lafões.

Para terminar em beleza a Mesa Redonda, João Moitas, recitou alguns poemas que integram o Hino de Lafões.

Como não poderia deixar de ser num evento de sucesso, a animação musical também esteve presente com as atuações do duo ACOUSTICA e pelo músico da ADFECTUS.

Aníbal Seraphim

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