O mito da Sexta-Feira Negra, surge no início do século XX. Devido ao aumento exponencial das vendas nesse dia, os negócios saíam do vermelho e passavam a dar lucro, e na altura como a contabilidade era feita manualmente, as perdas eram escrituradas a vermelho e os lucros a negro ou traduzido para inglês Black.
Na realidade o conceito nasceu na década de 1960, na cidade de Filadélfia nos Estados Unidos da América (EUA), onde o enorme fluxo de gente que realizava compras no centro da cidade e o caos gerado no trânsito levaram a polícia local a apelidar a primeira sexta-feira após o Dia de Ação de Graças de Sexta-Feira Negra. Ainda nesta década as autoridades de Filadélfia tentaram mudar o nome deste dia passando a chamar-se “Big Friday”. A ideia não vingou e a Black Friday mantém-se até aos dias de hoje.
A Sexta-Feira Negra começou por ser só um dia descontos. Com o incremento das vendas online, em 2005 foi instituída a Cyber Monday na primeira segunda-feira a seguir ao Dia de Ação de Graças e atualmente há marcas que fazem campanhas durante o mês inteiro.
Estima-se que a média global de aumento das vendas durante a Black Friday é de 663%.
Em Portugal o fenómeno instalou-se em 2013 com a chegada do El Corte Inglês. A partir desse ano as grandes cadeias de distribuição portuguesas começaram a aderir à Black Friday com grandes campanhas de desconto no último fim de semana de novembro, sendo que atualmente estas campanhas estendem-se por quase todo o mês, coincidindo com o feriado do Dia de Todos os Santos.
Em 2023, num estudo realizado por uma empresa especializada para a Leroy Merlin, 86% dos portugueses disseram que poderiam aproveitar os descontos, mas 65% pretendiam fazer menos compras e 53% gastar menos dinheiro. Estes números refletem alguma vontade de contenção face a 2022, ano em que entre 21 e 28 de novembro, os gastos com cartões de débito e crédito subiram 11% face ao ano anterior.
A realidade dos números espelha o clima de incerteza e duvida que atualmente atravessamos.
Economia é psicologia e com a confiança dos consumidores portugueses em níveis cada vez mais baixos, os níveis de consumo vão diminuir com consequências na atividade económica.
Sinais dos tempos que auguram dificuldades!















