ARTIGO DE OPINIÃO: Fisioterapia Pélvica para tratamento de Dores nas relações sexuais, incontinências urinárias e na descida dos órgãos pélvicos.

08/11/2023 18:39

Artigo de Inês Pereira (membro da Direção da AISS – Associação de Intervenção para a Saúde Sustentável)

O nosso corpo é uma autêntica ferramenta de descoberta, um veículo com fins de exploração e experimentação do mundo envolvente. O que consinto ao nível do meu corpo? Sei o que é desconfortável e prazeroso? De que forma exerço autoridade sobre ele? Quanto mais soubermos sobre o nosso corpo, mais zelamos pelo nosso bem-estar. E como Fisioterapeuta, falarei sobre o bem-estar pélvico ou promoção de saúde pélvica.

Antes de mais, importa desmitificar o conceito de Fisioterapia Pélvica. Esta é uma área em que o Fisioterapeuta garante parte da sua formação centrada na anatomia, função e reabilitação da esfera pélvica. Esta engloba a nossa pélvis, os seus constituintes, zona lombar e abdominal. Falemos agora da nossa pélvis. Esta é uma estrutura óssea e que assinala a divisão entre o nosso plano superior – cabeça e tronco e o plano inferior – membros inferiores e pés. É definida por todos os ossos, órgãos, músculos, ligamentos, nervos e fascia que contribuem para a sua função.

A Fisioterapia Pélvica tem várias funções e, uma delas, é precisamente melhorar a função da esfera pélvica e eliminar dores ou desconfortos pélvicos. Falamos de dores crónicas ou dores nas relações sexuais (dores pontuais). Já alguma vez sentiu desconforto ou dor durante o ato sexual? Se a resposta for positiva algo está errado. Termos dor não deverá ser visto como algo habitual ou normal e, como tal, a dor na hora da relação sexual não é de todo normal pois este é um momento que deve ser prazeroso e não doloroso. Poderão existir diversas causas, nomeadamente alterações do ph da vagina, aderências, posição do útero, tamanho do órgão sexual do parceiro, entre outras. Estas são algumas das condições que se avaliam em contexto clínico na Fisioterapia Pélvica.

O Vaginismo é um dos diagnósticos médicos que mais tem chegado nos últimos tempos em sessões pélvicas. Trata-se de um nome técnico atribuído quando uma mulher não consegue que o órgão genital do parceiro, dedos ou objetos, tal como o espéculo ginecológico, penetre dentro da sua vulva. O que acontece? Existe um elevado número de contrações musculares involuntárias dos músculos do pavimento pélvico, durante o ato sexual, o que pode promover uma aversão à penetração pelo facto de a mulher sentir dor nesse momento.

Relativamente às incontinências urinárias também são outro ponto a abordar. Podem assumir 3 tipos: a de esforço, urgência e mista (esforço + urgência). A de esforço acontece quando existe um aumento da pressão intra-abdominal em atividades como tossir, rir, levantar, espirrar ou fazer esforço físico/ levantar pesos; já a de urgência está associada à síndrome da bexiga hiperativa; vontade de urinar com ou sem urina. De notar que a Fisioterapia Pélvica atua na gestação e tende a prevenir estas incidências no pós-parto. E, mesmo acontecendo no pós-parto, a recuperação será mais rápida e eficiente.

A Fisioterapia Pélvica é um serviço cada vez mais procurado por Mulheres, Homens e Crianças. O que nos indica que questões como hábitos de saúde pélvica preventivos podem não estar a ser aplicados devidamente e consequentemente as patologias desenvolvem-se (incontinências, vaginismo, dispareunias e prolapsos).  

Posto isto, é necessário aumentar a literacia em saúde pélvica e isso passa pela leitura e mesmo consulta/sessão de Fisioterapia pélvica, de forma a elevar o auto descobrimento da esfera pélvica, o funcionamento hormonal e as consequentes variações da estrutura pélvica (menopausa, gravidez, pós-parto, pós cirúrgicos, cancros), a introdução de hábitos adequados de higiene íntima, hábitos defecatório e exercícios aplicados à estrutura e organismo de cada pessoa em determinada fase da sua vida.


Pelvic physiotherapy to treat pain during sexual intercourse, urinary incontinence and descent of the pelvic organs.

Our body is an authentic tool for discovery, a vehicle for exploring and experimenting with the world around us. What do I consent to in my body? Do I know what is uncomfortable and what is pleasurable? How do I exercise authority over it? The more we know about our bodies, the more we take care of our well-being. And as a physiotherapist, I’m going to talk about pelvic well-being or pelvic health promotion.

First of all, it’s important to demystify the concept of pelvic physiotherapy. This is an area in which physiotherapists ensure that part of their training focuses on the anatomy, function and rehabilitation of the pelvic sphere. This includes our pelvis, its constituents, the lumbar and abdominal areas. Let’s talk about our pelvis. This is a bony structure that marks the division between our upper plane – head and torso – and our lower plane – lower limbs and feet. It is defined by all the bones, organs, muscles, ligaments, nerves and fascia that contribute to its function.

Pelvic physiotherapy has several functions, one of which is precisely to improve the function of the pelvic sphere and eliminate pelvic pain or discomfort. We’re talking about chronic pain or pain during sexual intercourse (occasional pain). Have you ever felt discomfort or pain during sex? If so, something is wrong. Having pain should not be seen as something habitual or normal and, as such, pain during sexual intercourse is not normal at all because this is a moment that should be pleasurable and not painful. There could be several causes, including changes in the ph of the vagina, adhesions, the position of the uterus, the size of the partner’s sexual organ, among others. These are some of the conditions that are assessed in a clinical context in Pelvic Physiotherapy.

Vaginismus is one of the medical diagnoses that has come up the most recently in pelvic sessions. It’s a technical name given when a woman can’t get her partner’s genitals, fingers or objects, such as a gynaecological speculum, to penetrate her vulva. What happens? There is a high number of involuntary muscular contractions of the pelvic floor muscles during sexual intercourse, which can lead to an aversion to penetration because the woman feels pain at that moment.

Urinary incontinence is also another point to address. They can be of three types: stress, urgency and mixed (stress + urgency). Stress incontinence occurs when there is an increase in intra-abdominal pressure during activities such as coughing, laughing, lifting, sneezing or physical exertion; urgency incontinence is associated with overactive bladder syndrome; the urge to urinate with or without urine. It should be noted that pelvic physiotherapy works during pregnancy and tends to prevent these incidences in the postpartum period. Even in the postpartum period, recovery will be faster and more efficient.

Pelvic physiotherapy is a service that is increasingly sought after by women, men and children. This indicates that issues such as preventive pelvic health habits may not be being applied properly and consequently pathologies develop (incontinence, vaginismus, dyspareunia and prolapse). 

That said, it’s necessary to increase pelvic health literacy and this includes reading and even pelvic physiotherapy consultations/sessions, in order to increase self-discovery of the pelvic sphere, hormonal functioning and the consequent variations in pelvic structure (menopause, pregnancy, postpartum, post-surgery, cancers), the introduction of appropriate intimate hygiene habits, defecation habits and exercises applied to the structure and organism of each person at a given stage in their life.


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