Algo que há mais ou menos um ano atrás pareceria muito bizarro, tornou-se, em pouco tempo, uma realidade conhecida no mundo inteiro devido à mais recente pandemia. Efetivamente, esta pandemia veio trocar-nos as voltas. No entanto, toda a crise tem também um aspeto muito positivo que é a evolução e esta não existe sem haver uma crise. De fato, o covid-19 levou à rutura de muitos sistemas de saúde a nível mundial, empresas e sistemas de ensino. Todavia, no meio desta crise, a necessidade de adaptação e evolução sobrepôs-se e novas alternativas se encontraram, tais como consultas online (nos casos possíveis), teletrabalho e aulas à distância, entre outros serviços.
No caso da psicologia, a saúde digital avançou com força e mostrou, em tempo real, os seus benefícios. O presidente do conselho de especialidade de psicologia clínica e da saúde da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), David Neto, relata que as consultas de psicologia à distância não eram uma raridade sendo que algumas entidades já o praticavam, mas passaram a ganhar adeptos de forma exponencial depois de a covid-19 ter mudado as nossas vidas. Justifica-se, não só com a transição para o online de doentes regulares, mas também com a maior procura de quem nunca teve ajuda psicológica. Cada vez mais, tem surgido evidência cientifica que suporta a eficácia das intervenções psicológicas à distância, com recurso a plataformas digitais. Os estudos que existem, para já, apontam para taxas de sucesso equiparadas às consultas presenciais. O que não significa que sejam adequadas para toda a gente ou para todos os casos, no entanto, as vantagens desta prática são promissoras.
Nas consultas online, o investimento e o profissionalismo do psicólogo são os mesmos que presencialmente, bem como o tipo de intervenção realizada. As vantagens deste tipo de intervenção são, por um lado, a facilidade no acesso por parte de pessoas que geograficamente têm dificuldade em se deslocar, ou mesmo a nível de mobilidade (por exemplo, pessoas acamadas), por outro, a não existência da barreira geográfica sendo que é possível escolher um psicólogo que esteja no outro lado do mundo. Há também uma redução no tempo das deslocações, assim como de custos para o psicólogo, sendo que não necessita de pagar por um espaço físico. Adicionalmente, a nível dos adolescentes/jovens adultos, muitos relatam que preferem o atendimento online por poderem estar num espaço que lhes é confortável e familiar, ao invés do consultório.
Contrariamente, as desvantagens prendem-se com a falta de contacto humano, dificuldades na análise da linguagem não verbal do paciente, assim como maior probabilidade de haver interrupções que podem quebrar o desenvolvimento da consulta.
Equacionando os prós e os contras, esta é uma prática que veio para ficar e que pode, sem dúvida, reduzir custos ligados à saúde e chegar a cada vez mais pessoas.
















