9ª Edição da New Age, New Time com oito atividades programadas

04/11/2020 18:13

O Teatro Viriato promove de 13 a 28 de novembro, a nona edição da New Age, New Time (NANT). Ao longo de três semanas, coreógrafos de renome nacional e internacional cruzam-se com outros em início de carreira, e os espetadores participam em tertúlias e em jornadas críticas para discutirem os espetáculos que assistem.

Para Patrícia Portela, Diretora Artística do Teatro Viriato, “fazer uma mostra de dança no panorama atual vai ter um sabor ainda mais doce. Os encontros são cada vez mais distantes, o toque entre quem não co-habita é cada vez mais impossível. Por isso, promover um ciclo onde corpos se encontram é um acto de resistência, é um voto de fé no que somos, e é uma aposta naquilo que nos torna mais humanos mas também mais planetários: a nossa fisicalidade, a nossa necessidade de sermos matéria e presença”.

“Apesar das alterações que foram necessárias implementar, e independentemente do tema das coreografias, a dança fala sempre do encontro físico, e em tempo real dos corpos. Abordar isto em plena pandemia é radical, é necessário, dói, e é bonito.”, reforça Patrícia Portela.

A NANT tem oito atividades programadas, das quais três são estreias e uma é antestreia. São Castro e António M. Cabrita, diretores artísticos da Companhia Paulo Ribeiro, abrem a edição 2020 com a estreia de “Sinais de Pausa”, no dia 13 de novembro, às 21h30. Um dueto, coreografado pelos próprios, que se inspira no universo literário de José Saramago, nas fragilidades e contradições do ser humano, na invocação do passado com um olhar no presente, na desordem revolucionária do uso da pontuação. O público poderá assistir a outra sessão no dia 14. A propósito desta estreia, o Teatro Viriato convidou Zeferino Coelho, editor da Caminho/Leya e do próprio Saramago durante quarenta e cinco anos, para vir assistir à estreia e falar da obra do escritor nobilizado. No dia 14 de novembro, a conversa acontece no Café do Teatro, às 18h00 e promete ser um encontro raro e inesquecível.

No dia 18, às 21h30, João dos Santos Martins regressa ao Teatro Viriato com a estreia de “Coreografia”. O coreógrafo inspirou-se no tratado de Raoul Feuillet, teórico de dança francês do século XVIII, com o intuito de revelar como a coreografia se escrevia em papel para só depois ser interpretada e transposta para o corpo. João dos Santos Martins procura construir uma dança que é um texto e escrever um texto que é uma dança. Este espetáculo foi pensado para ser acessível para pessoas surdas e cegas.

João Fiadeiro, um dos protagonistas do movimento da Nova Dança Portuguesa, nos anos 90 em Portugal e artista residente no Teatro Viriato, viu em 2019 o encerramento do seu Atelier Re.AL, no nº55 da Rua do Poço dos Negros, em Lisboa. Durante um mês, o coreógrafo programou uma série de atividades para assinalar o fecho do seu espaço de criação. Uma desocupação artística que foi acompanhada de perto por Maria João Guardão e condensada num documentário. “Nada pode ficar”, com antestreia em Viseu no dia 21 de novembro, às 17h00. Nesta obra, interroga-se sobre a possibilidade da criação a partir da destruição, o futuro a partir do fim. No mesmo dia, às 21h30, sobe ao palco uma criação do coreógrafo. “O que fazer daqui para trás”, explora o tempo enquanto unidade duracional, suspensa ou intervalar. Os performers exercitam uma crítica à sensação avassaladora de urgência e à rotina acelerada que se vive.

Margarida Belo Costa, que tem vindo a desenvolver um movimento ligado a questões morais e sociais, apresenta em estreia no Teatro Viriato “Faustless”, no dia 24 de novembro. Uma coreografia que nos desafia a repensar as representações femininas, em particular na obra “Fausto” de Goethe. “Faustless” reflete sobre o papel da mulher enquanto protagonista de vários episódios no percurso de um homem e convida estas personagens a visitarem a contemporaneidade e a questionarem o seu papel histórico de subserviência.

A Companhia Instável encerrará a 9ªedição da NANT com a coreografia “Timber”, no dia 27 de novembro, às 21h30. Esta peça surge de um desafio lançado pela companhia e pelo coletivo Drumming GP ao coreógrafo Roberto Olivan, para criar uma performance com música de Michael Gordon. “Timber” é uma reflexão sobre a autodestruição construída ao longo dos anos, sobre as barreiras que limitam o ser humano e a noção de liberdade que cada um possui.

Ao longo destes dias irá também decorrer a segunda edição de “Lugares do Público na Dança Contemporânea”, com Paula Varanda. Um espaço de questionamento que permite ao público da mostra de dança discutir os trabalhos artísticos a que assiste. Esta oficina que tem como ponto de partida a programação deste ciclo é constituída por três sessões presenciais para introdução dos participantes a exercícios de memória e apreciação estética, e três sessões online de partilha de experiências, opiniões e escrita sobre as coreografias.

Com o objetivo de promover o diálogo entre gerações de artistas, o Festival “Lugar Futuro”, da escola de dança Lugar Presente, também se junta à programação da NANT. Este festival decorre de 20 a 22 de novembro, em Viseu, e conta com coreógrafos novos e consagrados, numa troca saudável de gerações.

Os bilhetes para a mostra podem ser adquiridos, preferencialmente, em www.teatroviriato.com, através da BOL, do telefone da bilheteira (232 480 110) ou do e-mail bilheteira@teatroviriato.com. Junto da bilheteira poderá ainda ser adquirida uma assinatura que dá acesso a todos os espetáculos da NANT. A lotação disponível está sujeita às normas recomendadas pela Direção Geral de Saúde. Nos dias de espetáculo, os bilhetes só estarão à venda até meia hora antes do início da apresentação.

 


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