1º SMART REGION Viseu Dão Lafões aponta novos caminhos para a gestão dos territórios

01/11/2026 10:41

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões promovou esta quinta-feira, 29 de outubro, a º edição do SMART REGION SUMMIT Viseu Dão Lafões, no Montebelo Viseu Congress Hotel. Um momento que se afirmou como um espaço nacional de reflexão e partilha de conhecimento sobre o futuro da gestão inteligente dos territórios.

Com as inscrições esgotadas e mais de uma centena de participantes, o encontro reuniu representantes do Governo, especialistas nacionais e internacionais, universidades, empresas e responsáveis da administração pública, num debate alargado sobre a utilização dos dados, da Inteligência Artificial e das novas tecnologias na definição de políticas públicas e na resposta aos desafios das cidades e regiões.

Ao longo do dia, as diferentes intervenções convergiram numa ideia central: a transformação digital dos territórios deve colocar as pessoas no centro da tomada de decisão. Mais do que incorporar novas tecnologias, o desafio passa por transformar a informação disponível em conhecimento útil, capaz de apoiar decisões mais eficazes, antecipar necessidades e melhorar a qualidade dos serviços prestados às populações.

Para João Azevedo, Presidente da CIM Viseu Dão Lafões e da Câmara Municipal de Viseu, o balanço desta primeira edição é extremamente positivo. «Conseguimos reunir em Viseu referências nacionais e internacionais para discutir um tema absolutamente determinante para o futuro dos nossos territórios. Saímos deste encontro com uma convicção reforçada: os territórios constroem-se com conhecimento, com cooperação e com a capacidade de tomar melhores decisões para melhorar a vida das pessoas», afirmou, destacando, logo na sessão de abertura do evento, a nova Plataforma de Gestão Urbana da CIM Viseu Dão Lafões: «É uma ferramenta que ambiciona afirmar-se como referência nacional e que será igualmente apresentada em Barcelona. As regiões devem ter capacidade para liderar processos de inovação e contribuir ativamente para a construção de um país mais inteligente, mais sustentável e mais coeso».

Ainda na sessão de abertura, Bernardo Correia, Secretário de Estado para a Digitalização, colocou a palavra “competitividade” no centro da sua intervenção, defendendo uma agenda de competitividade construída em conjunto pelos setores público e privado. «Acreditamos genuinamente que a prosperidade dos territórios vem da capacidade de conseguirmos partilhar inovação e tecnologia entre todos», afirmou, salientando igualmente que «o Estado tem de ter a capacidade de ser mais ágil, sobretudo junto das comunidades locais».

Estratégia Nacional: decidir com dados e ligar os territórios

O programa do SMART REGION SUMMIT Viseu Dão Lafões prosseguiu com Manuel Dias, Presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), a apresentar a Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes, defendendo «a capacidade de tomar decisões com base em dados» e destacando a interoperabilidade como condição para que parceiros públicos e privados possam aceder a informação decisiva. Segundo o responsável, 297 dos 308 municípios estão já abrangidos por plataformas de gestão urbana, num esforço acompanhado pela capacitação de mais de 2 mil profissionais. Manuel Dias felicitou inclusivamente a CIM Viseu Dão Lafões pela Plataforma de Gestão Urbana já desenvolvida no território. «Com a integração de dados de todos os territórios, e com o reforço de competências digitais, passaremos das cidades inteligentes e dos territórios inteligentes, para um Portugal mais inteligente», afirmou.

Da transformação digital à inteligência territorial: a estratégia de Viseu Dão Lafões

Em sequência, Nuno Martinho, Secretário Executivo da CIM Viseu Dão Lafões, traçou o percurso regional de inovação já desenvolvido na região, dos projetos VIGIA (capacidade de resposta a incêndios) e SGPav (diagnóstico da rodovia), ao DATA4Mobility (análise a padrões de mobilidade) e à telemonitorização 5G (acompanhamento remoto de idosos e doentes crónicos). Este caminho antecipou a criação da Plataforma Intermunicipal de Conhecimento, orientada para agregar e tratar informação disponível, e da nova Plataforma de Gestão Urbana, dedicada à operacionalidade em áreas como ambiente, água, resíduos, mobilidade, proteção civil, turismo e energia. «Trata-se de uma mudança completa de paradigma, com a informação e as pessoas no centro da nossa decisão, com o objetivo de termos melhor qualidade de vida no território», sintetizou Nuno Martinho.

Logo de seguida, Ricardo Riquito, da Unidade de Transformação Digital e Inteligência Territorial da CIM, aprofundou com especificidade as duas plataformas, apresentando exemplos da sua aplicação. Na mobilidade, destacou a capacidade de integração de informação sobre condicionamentos de circulação, agregando dados da plataforma Waze; relevou a valência de monitorização do sistema transporte flexível na região, o “Ir e Vir”, que já ultrapassou as 60 mil pessoas transportadas; ou a capacidade de análise dos fluxos de visitantes, úteis para compreender a dinâmica turística e apoiar decisões mais ajustadas à realidade do território.


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