ARTIGO DE OPINIÃO: GRÃO VASCO – DIÁRIO DE UMA PAIXÃO

07/10/2026 19:15

Não tenho por hábito vir a este espaço de crónica escrever sobre mim ou sobre o que produzo culturalmente, antes divulgar junto dos leitores outras obras que me cativaram. Esta segunda ideia leva-me de facto (e desta vez por exceção) a revelar aos leitores este meu mais recente romance, sobretudo pelo interesse público que possa despertar como objeto cultural e motor de interesses novos sobre a obra majestosa de Grão Vasco, para além do interesse literário.

 A obra, um romance histórico, procura levar até aos leitores a vida aventurosa e criativa do mestre através da sua cronologia criativa, integrando-a no movimento renovador da Cultura e da Arte do Renascimento, ele próprio um inovador em múltiplos aspetos.

Para além disso, a narrativa procura levar cada leitor numa viagem diferente de acompanhamento pelas paixões e pelas reflexões do Mestre (nos seus momentos de angústia ou de insegurança, de visão de futuro ou de confronto com as regras e mentalidades de um tempo em mudança, mas ainda muito marcado pelo peso institucional da Igreja Católica no reino de Portugal – tempos de Inquisição).

Nesta perspetiva, sou a pensar que este romance possa ser um pouco mais do que isso, podendo apresentar-se como um produto de valorização do nosso património cultural, ajudando a consolidar o Grão Vasco como uma das figuras cimeiras do Renascimento artístico em Portugal, ajudando a fixar e a humanizar a memória de um vulto que moldou realmente a História da Arte em Portugal.

Ao mesmo tempo, considero que este romance pode ajudar a projetar a identidade regional e o orgulho dos viseenses, atuando como instrumento de democratização do acesso a conceitos mais complexos sobre a História da Arte e a sua iconografia, numa linguagem acessível ao grande público.

A obra literária pode ainda despertar uma nova curiosidade sobre as obras do Mestre (como o São Pedro ou o Políptico da Sé de Viseu), ajudando a promover o chamado “turismo literário e artístico“, atraindo mais visitantes à região de Viseu e Lamego, através dos dois Museus representativos da obra criativa do Mestre, gerando valor económico local.

A narrativa procura ajudar a compreender a transição do artesão medieval para o artista renascentista intelectualizado (um conflito muito presente na época de Grão Vasco).

Através da narrativa das suas viagens e andanças, e depois na construção da sua obra artística, encontramos os reflexos de uma globalização em que Portugal (e Viseu) se integram lenta, mas progressivamente, ajudando a abrir novos mundos ao mundo.

A edição da obra tem o especial patrocínio da Freguesia de Viseu (a quem fico eternamente grato), na sua continuada missão de enaltecer e promover os vultos da História e da Cultura da cidade, como é o caso de Grão Vasco, e paralelamente apoiando os autores e criadores locais.

A obra teve apresentação pública no dia 3 de outubro, na Feira do Livro de Viseu (FLIV 2026), com revisão científica e apresentação do Investigador João Fonseca, e explanação sobre o Grão Vasco histórico pelo Dr. Luís Fernandes.

Bem hajam. Boas leituras. Sejam felizes.

Carlos Almeida


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