25 de setembro, Dia do Treinador
Na Semana Europeia do Desporto, importa dar rosto a quem educa pelo desporto.
Ser treinador é apaixonante. Repito-o hoje com a mesma convicção com que o escrevi em 2023 e em 2025.
A 25 de setembro celebra-se o Dia do Treinador, integrado na Semana Europeia do Desporto, que decorre entre 23 e 30 de setembro. Uma data que pretende dar visibilidade e promover o reconhecimento social de quem desempenha uma das funções mais importantes no desenvolvimento do desporto e, sobretudo, das pessoas que o praticam.
Ser treinador não é fácil. Nunca foi.
Há diferentes opiniões sobre o papel, as responsabilidades e até sobre a quantidade de tarefas que devem caber a um treinador. Mas há algo que me parece consensual: torna-se mais apaixonante — e também menos difícil — quando existe uma equipa técnica organizada, coordenada, com uma filosofia e objetivos bem definidos.
Os treinadores são agentes centrais do desporto. Não é apenas um emprego. Não é apenas um part-time. As responsabilidades são grandes, porque o treinador trabalha com pessoas, com expectativas, com sonhos e, muitas vezes, com crianças e jovens que estão a descobrir quem são.
Por isso, ser treinador também implica saber estar.
É preciso olhar para o colega que está do outro lado não como um inimigo, mas como alguém que, tal como nós, contribui para o desenvolvimento da modalidade. É preciso saber respeitar o adversário, comunicar, liderar, motivar e, sobretudo, dar o exemplo.
Porque saber ser treinador não se aprende apenas quando termina uma carreira de atleta. Não resulta automaticamente da passagem da bancada para o banco. Também não sai de um laboratório ou de um diploma.
A formação é importante. A competência técnica é fundamental. Mas há aprendizagens que só a experiência, a relação com os outros e a vivência diária do desporto conseguem proporcionar.
Os próprios atletas confirmam essa importância. Para muitas crianças e adolescentes, o treinador é uma das pessoas com maior significado nas suas vidas desportivas. É alguém em quem depositam confiança para aprender, evoluir e, muitas vezes, acreditar que são capazes de alcançar aquilo que ainda não conseguem ver.
Na formação desportiva, essa responsabilidade é ainda maior.
O treinador é muito mais do que treinador. É orientador, educador, motivador, conselheiro, amigo e, em determinados momentos, confidente. É um adulto de referência num período decisivo do crescimento.
É também, tantas vezes, quem segura a porta de entrada para o desporto de milhares de crianças e jovens.
Por isso, o comportamento do treinador durante um jogo não é um pormenor.
A forma como dois treinadores adversários se cumprimentam antes da partida, como comunicam durante o jogo e como se respeitam no final pode ser um poderoso exemplo para atletas, pais e restantes agentes desportivos.
O contrário também é verdade.
Um treinador que protesta permanentemente, desvaloriza o adversário, questiona todas as decisões ou transforma cada jogo numa batalha está igualmente a ensinar. A questão é saber o quê.
O desporto é uma ferramenta. É neutro. A forma como o utilizamos é que pode fazer toda a diferença.
Também por isso, neste Dia do Treinador, importa reconhecer aqueles que muitas vezes estão longe dos holofotes. Os que treinam ao frio, à chuva ou ao calor. Os que chegam mais cedo e saem mais tarde. Os que acompanham atletas dentro e fora do recinto. Os que ganham e os que perdem. Os que acertam e os que também aprendem com os erros.
Fui treinador durante muitos anos. Vivi os pelados do início, passei por diferentes escalões etários, do distrital ao nacional, e conheci diferentes realidades do desporto de formação. Tudo mudou, entretanto. Os contextos são outros, os desafios também. Mas a paixão permanece.
Como escrevi no ano passado, não estou arrependido do momento em que saí. Hoje já não me vejo a treinar.
Mas o jogo… Ah, o jogo!
Foram excelentes anos. Excelentes atletas, colegas, dirigentes e pais. Pessoas que fizeram parte desse percurso e que, ainda hoje, tenho a honra de chamar amigos.
Talvez seja essa uma das maiores riquezas de ser treinador: muito mais do que resultados, classificações ou troféus, ficam as pessoas.
Neste Dia do Treinador, deixo o meu bem-haja a todos os treinadores. Hoje e todos os dias.
Aos que ensinam uma técnica, mas também uma atitude. Aos que corrigem um erro, mas também ajudam a ultrapassá-lo. Aos que exigem, mas sabem ouvir. Aos que querem ganhar, sem esquecer que estão, acima de tudo, a formar pessoas.
E deixo um convite muito simples.
Agradeça ao seu treinador.
Porque, por vezes, um simples «obrigado» vale uma carreira inteira.
Vitor Santos | Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto
















