A notícia foi publicada pelo jornal Expresso esta semana. Cerca de 250.000 portugueses tinham dois empregos em 2023, um valor que representa uma subida de 7% (16.200) face ao ano de 2022.
Em 2023, estavam empregadas em Portugal 4.978.500 pessoas, mais 2% (97.100) do que em 2022. De referir que 700.000 pessoas desta população ativa eram funcionários públicos.
Face ao aumento generalizado do custo de vida em Portugal, mais de 16.000 trabalhadores viram-se obrigados a ter uma segunda atividade profissional em 2023, elevando, assim, o número de portugueses com dois empregos para 251.100, o número mais alto desde 2011.
Se a dimensão dos números é preocupante, a estrutura e a formação das pessoas que compõem esta faixa da população merece uma reflexão.
Do total dos 251.000, a maioria detinha formação superior (141.900), seguidos dos que tinham o ensino secundário (55.800) e o básico (53.300).
Um dos principais propósitos que levam os pais a proporcionar uma formação superior aos filhos é a perspetiva de que estes venham no futuro auferir um salário superior ao que os pais e superior ao salário mínimo nacional.
A razão porque cada vez mais jovens licenciados têm um segundo emprego é que a maioria deles aufere o salário mínimo nacional.
Formação superior atualmente em Portugal não é sinónimo de salário elevado.
A face mais visível desta realidade: a emigração dos jovens.
Mais de 850 mil jovens nascidos em Portugal com idades entre 15 e 39 anos vivem atualmente no estrangeiro. Portugal tem a taxa de emigração mais alta da Europa.
Consequências para o nosso país: falta de mão de obra qualificada e falta de uma população jovem, com ideias inovadoras e com garra de viver.
Solução para esta crescente fuga dos jovens: uma economia competitiva e inovadora com uma redução drástica da carga fiscal sobre os salários, onde os jovens fiquem em Portugal e desenvolvam o país. Menos impostos implicam uma profunda reforma do Estado e dos seus gastos.
Duas reflexões finais.
Como alguém referiu há semanas atrás num comentário: “os descobrimentos portugueses não se fizeram com os velhos”, e a geração atual dos jovens portugueses é a primeira geração em muitas décadas que irá viver pior que a geração dos pais!
Pedro Silva
Fonte: Jornal Expresso















