O Teatro Viriato acolhe, até 17 de novembro, a apresentação da peça coreográfica “Bichos”, de Rui Lopes Graça para a Dançando com a Diferença.
“Bichos” é um espetáculo trabalhado a partir da obra homónima de Miguel Torga, que pretende abordar questões fundamentais sobre a sociedade e a própria existência. Animais humanizados ou humanos quase animalizados, aparecem aqui em luta consigo mesmo, com o meio em que vivem e com o divino. Diferentes entre si nas suas particularidades, estes bichos são todos parte da mesma Arca de Noé; sítio e terra mãe onde todos caminham numa luta igual pela vida e pela liberdade. São dilemas humanos, mas partilhados quer pelos homens quer por animais em que o Homem é mais um bicho entre outros e não ocupa um lugar privilegiado.
«Em Torga, a evolução afastou o Homem da natureza, condenando-o à perdição e, com BICHOS, viaja em busca da sua essência selvagem, da pureza dos instintos, pondo em causa Deus, liberdade, sociedade e a relação do indivíduo com elas. Pensando que nenhum tem um lugar especial na criação, aqui relembramos que viver não basta. A dignidade humana obriga a que, a vida só valha a pena em plena liberdade; que a rebeldia que não aceita domesticações ou conformismos, é o meio seguro para cada um encontrar o seu papel no coletivo, sem perder a sua liberdade», refere Rui Lopes Graça no texto de apresentação da peça.
Com este trabalho, o coreógrafo pretende responder a algumas questões. «A nossa existência tem uma duração reduzida e limitada. Como vivemos esse tempo e aproveitamos essa possibilidade? Somos anexados por um padrão normativo que, tal como com Mago, leva à anulação individual?»
Nos dias 15 e 16, as sessões de “Bichos” destinam-se à comunidade escolar, e no dia 17 ao público em geral. Em todas as apresentações será disponibilizada audiodescrição.
Os ingressos encontram-se à venda na bilheteira e site do Teatro Viriato e na BOL.















