Apesar de para este ano, o abominável FMI fixar o crescimento da nossa economia nos 6.2%, as previsões nacionais, como convém ao “mercado” interno, são mais optimistas, colando-se aos 6.5%.
Para o ano que vem, 2023, apesar de o FMI, esse perigoso exemplar do imperialismo, prever um crescimento da economia de apena 0.7%, o nosso governo aponta para valores superiores, na ordem de 1.3%.
Mau grado o FMI, essa abominável instituição, representativa do mais perigoso capitalismo, apontar para uma inflação na ordem dos 4.7%, o nosso executivo fica-se pelos 4%, digamos que uma estimativa pouco crível, face aos valores estratosféricos que o ano em curso ostenta, e já caminhamos para o seu final.
Neste universo financeiro, pequenas décimas representam muitos milhões de euros, daí que não sejam desprezíveis as notas e os juízos preocupantes que recaem sobre esses desacertos.
É verdade que, em diversos momentos, já todos erraram e já todos acertaram nas suas previsões, dando como adquirido que a economia não é uma ciência exacta, os diversos indicadores são altamente voláteis, e num mundo cada vez mais globalizado qualquer acontecimento num país gera inevitáveis réplicas nos restantes.
Mas para quem já está escaldado com a batota do aumento das pensões, que só à força foi assumido, vale a pena estar de pé atrás.
Mas também não deixa de ser avisado acreditar-se que em ano de tantas incertezas o mais certo é que os números mais pessimistas sejam os mais correctos.
Vem ao caso, porém, que é também com base nestes números que o governo elaborou o respectivo orçamento, pelo que inexactidões nestes dados provocarão inevitavelmente distorções no deve e haver das contas anuais.
Posto isto, parece-me um pouco obsoleto, rançoso até, o discurso vigoroso e sorridente de que Portugal vai escapar à recessão quando em tudo o que é lado se fala, honesta e preocupadamente, nessa séria probabilidade. Se as previsões de 0.7% no crescimento se confirmarem, não andaremos longe dessa triste e penosa realidade, fruto de uma conjuntura internacional que, graças à guerra, é altamente incerta.
E a obsessão pela drástica redução da dívida, Portugal ostenta com garbo e luzida fatuidade a quarta maior redução do mundo, tem o seu quê de doentio e de bom aluno marrão, em nada contribuindo para uma suavização do garrote.
Entretanto, vamos cantando e rindo, como se Portugal fosse uma ilha.
Mas, pacifiquemos, se algo imprevisível ocorrer e algo falhar no orçamento, alguma circunstância superveniente se há-de arranjar, sabendo-se que nessa matéria de justificações ardilosas, António Costa, não só é mestre como é detentor do doutoramento “honoris causa”.
E desconfiemos sempre de quem se ri muito, por tudo e por nada!
















