O Banco Central Europeu (BCE), anunciou dia 08 de setembro, uma subida das taxas de juro em 75 pontos percentuais (0,75%), a maior subida de sempre na história da zona euro.
O aumento das taxas de juros representa o fim de um ciclo de 11 anos caracterizado por taxas de juro negativas.
O BCE não teve alternativa ao aumento das taxas de juro, face ao disparo da inflação, apesar do impacto negativo que esta subida poderá vir a ter no crescimento económico.
As consequências do aumento das taxas de juro são mais penalizadoras para países altamentes endividados, como é o caso de Portugal, do que para os países onde a divida do sector publico e dos privados é muito inferior.
A divida publica portuguesa é uma das mais elevadas do mundo. As empresas e as famílias portuguesas têm também um endividamento superior ao habitual noutros países.
Parte substancial da divida privada deve-se ao crédito bancário destinado para aquisição de habitação própria. Em Portugal mais de 70% das famílias portuguesas são proprietárias de habitação própria, enquanto na maioria dos países a percentagem de proprietários é inferior.
Por outro lado, no estrangeiro, mais de 90% do crédito de longo prazo está contratado em regime de taxa fixa. Em Portugal, o cenário é justamente o oposto, onde 90% do crédito de longo prazo está contratado em regime de taxa variável, o que agrava a vulnerabilidade perante a subida das taxas de juro.
Em outubro e no decorrer do ano de 2023 estão previstas novas subidas das taxas de juro.
O aumento dos juros vai reduzir o rendimento disponível das famílias para o consumo, as empresas vão ter menos capacidade para investir, aumentando o risco associado aos investimentos.
Para termos uma noção do aumento dos valores das prestações mensais dos empréstimos para as famílias portuguesas, para um financiamento de 250.000€ contratado a 30 anos com uma taxa semestral, o aumento do encargo mensal será cerca 240€. Se a taxa de juro contratada for a taxa anual, o aumento poderá chegar aos 300€.
Chegou a hora de parar e refletir.
À semelhança do que referi anteriormente, é altura mais que exata para as famílias e empresas analisarem despesas e refazer orçamentos, reorganizar empréstimos e repensar investimentos, sob pena de “amanhã ser tarde demais”.
E nada do “paizinho” Estado vir dizer que está disposto a ajudar as famílias em situação económica difícil por causa do aumento das taxas de juro.
















