As férias de verão são uma grande oportunidade de descanso e de relaxamento para muitas pessoas, no entanto, para outras, esta pausa pode ser igualmente desafiante. O corpo pede descanso e diversão mas a cabeça pode ter dificuldade em esvaziar e baixar o nível de alerta, sobretudo quando as semanas de trabalho durante o ano não são saudáveis. Um corpo em exaustão, física e psicológica, é um corpo que muitas vezes irá sinalizar necessidades em falta num período de pausa. Esta é uma realidade que se encontra bastante presente nos portugueses.
De acordo com o portal Small Business Prices, Portugal é o país (dos 26 analisados no estudo) onde mais trabalhadores sofrem ou correm o risco de vir a sofrer de síndrome de burnout. A Grécia, Letónia e Hungria destacam-se logo nas posições seguintes, com salários médios e horas de trabalho semanais muito próximos dos que se verificam em Portugal. Por sua vez, o Reino Unido, onde “apenas 1% dos trabalhadores dizem nunca ter experienciado stress relacionado com o trabalho”, ocupa o 14.º lugar da lista.
Importa começar por explicar o que é o burnout, agora reconhecido como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Constitui-se, então, como um tipo específico de stress causado pelo trabalho. A palavra burnout vem do inglês e significa “queimar até ao fim”. Trata-se, portanto, de um esgotamento físico e psicológico decorrente de uma vida profissional desgastante e sobrecarregada, que incapacita o indivíduo de desempenhar tarefas quotidianas tais como trabalhar. Apesar de ter origem em contexto laboral, o esgotamento profissional tem consequências extremamente graves na vida pessoal. Desligar por completo nas férias torna-se, assim, essencial para contrariar esta tendência.
Partilho seis estratégias úteis para melhor gerir o seu humor e ansiedade estas férias:
- Avisar os outros: é importante informar os colegas, clientes, fornecedores, etc.. de que irá de férias e de quem estará a substituí-lo, caso seja esse o caso. Assim, a tentação de o importunarem com trabalho será menor.
- “Out of office” e-mail: deixar uma mensagem de aviso no e-mail sobre o período de férias e configurá-lo um dia antes das férias irá permitir que os contactos por e-mail fiquem diretamente informados de quando voltará para dar determinada resposta e aliviará psicologicamente a necessidade de verificar o e-mail nas férias.
- Estabeleça um horário para consultar o e-mail: em casos excecionais, onde o tipo de função não permita uma desconexão total, reservar 15 minutos por dia (em horário a definir) para consultar o e-mail e dar resposta a coisas urgentes, inadiáveis ou indelegáveis.
- Movimente-se: a ansiedade é melhor regulada através do corpo com movimento do que apenas através do pensamento. Caminhar, nadar, correr, jogar raquetes, jogar à bola… tudo conta!
- Acalme o seu nervo vago: em início de férias quando continua ainda muito ativado, faça respirações abdominais, duches com temperaturas alternadas, meditações, etc… de modo a contribuir para a desativação do corpo do modo stress e corrido.
- Baixar as espectativas: férias não significa mudar de vida. As preocupações, os pensamentos negativos, a ansiedade e os problemas que estão tão presentes no resto do ano, não desaparecem por magia e, por isso, é preferível estar consciente disto ao invés de criar cenários idílicos que depois não acontecem porque é quando aparece a frustração. Tente praticar o viver no presente, mais no “aqui e agora” e sempre que os pensamentos fugirem para o futuro ou para o passado de forma negativa, tente voltar a puxar para o momento atual. Caso isto seja algo muito difícil para si, aconselho acompanhamento psicológico.
















