Em todas as fases do desenvolvimento do ser humano nos deparamos com mudanças e transformações. Ultrapassamos a infância, a adolescência, a fase adulta e a velhice com uma característica em comum: enfrentamos desafios. Eles fazem parte do nosso amadurecimento e aperfeiçoamento na evolução como seres humanos.
No entanto, talvez a etapa que mais tenha sofrido alterações significativas nos últimos tempos seja a dos jovens adultos. Com uma expectativa média de vida em torno dos 75 anos, aparentemente, a transição entre a adolescência e a vida adulta foi estendida e tem sido modificada a cada ano. O que acontecia há algumas décadas, hoje já não é mais a regra. Anteriormente, saía-se de casa dos pais antes dos 25 anos, hoje em dia isso deixou de ser possível para a maioria dos jovens, principalmente por questões de dificuldades de independência financeira. Neste sentido, prorroga-se a autonomia individual e a luta interna entre “ser dependente, mas independente” continua por mais uns anos. Para além disso, pelos vários estudos realizados nos últimos tempos, temos jovens cada vez mais deprimidos e ansiosos, com baixa autoestima e sem muita esperança no futuro. No fundo, temos jovens com medo de ser adultos.
Esta é uma fase em que as pessoas começam a reavaliar as suas escolhas passadas e futuras, pois tudo parece ter um peso maior. Investimento em formação académica, trajetórias profissionais e sentimento de ter de se gostar muito do trabalho que se faz, viver sozinhos e deixar de depender financeiramente de outros, estar com alguém numa relação duradoura porque já está a chegar a altura de casar e começar a ter filhos, pressão de ter sucesso, entre outros. Ser bem-sucedido está, muitas vezes, associado a todos estes fatores estarem a acontecer. No entanto, os jovens colocam muitas vezes prazos para obter este sucesso pleno, também incutidos pela própria sociedade. O problema é que, quando nada disto ocorre no tempo idealizado, aparece a frustração e o sentimento de fracasso, porque nesta idade já se deveria ter alcançado tudo isto. A vida “adulta” ganha forma de algo complicado. Para além disso, as redes sociais têm um papel fulcral neste sentimento, porque diariamente os feeds são inundados com publicações sobre o quanto pessoas de 20 e poucos anos já têm um sucesso imenso e são raras as que explicam como lá chegaram, o que acredito que piora muito a perceção dos jovens quanto à sua vida pessoal, profissional e financeira. É uma corrida e uma competição constante em que sentem que estão a ficar para trás e é cada vez mais fácil sentirem que não estão à altura.
Atualmente, os jovens adultos são caracterizados pela sociedade como muito infantis, imaturos e não preparados para a “vida real”. Esta “vida real” implica viver num mundo que se constitui como uma ameaça para eles. Os preços de todos os bens essenciais estão em constante inflação, o imobiliário está com preços que os jovens não conseguem pagar, os salários em início de carreira mal chegam para o básico, as alterações climáticas estão cada vez mais proeminentes e portanto o futuro neste planeta não se avizinha como próspero. Pouco sabem sobre finanças ou como gerir o seu dinheiro, pouco sabem sobre sustentabilidade e como criar melhores hábitos de modo a proteger o nosso planeta, pouco sabem sobre inteligência emocional e como gerir todo o seu mundo interno. Acredito que os jovens hoje em dia não são infantis ou imaturos, foi-lhes sim prometido um futuro melhor.
















