No próximo dia 24 de junho, sexta-feira, a Praça do Município, em Nelas, recebe o espetáculo ‘Alto’, pelas 21h30.
De entrada gratuita, este projeto estreia-se em Mangualde, a 1 de julho, sexta-feira, pelas 21h30, no Largo Dr. Couto.
Já Gouveia, a 11 de agosto, quinta-feira, pelas 22 horas, receberá este espetáculo no Parque da Ex. Bellino & Bellino, terminando o programa em Fornos de Algodres, a 18 de agosto, no Largo da Estação de Camionagem, pelas 22 horas.
«Trata-se de um projeto teatral de participação comunitária que tem a Associação Contracanto como capacitadora. O elenco é composto por uma equipa artística residente e por elementos da comunidade dos quatro Municípios que integram a Rede Cultural Alto-Mondego», é explicado.
«Criámos um espetáculo muito próximo da população que relata vários momentos do quotidiano. Vamos resgatar memórias, recordações e vivências dos nossos avós e fazer uma homenagem à terra que todos partilham», explica a dramaturga Sandra Leal.
«Terão um papel muito ativo do início ao fim, só assim faz sentido. É muito bom ver o seu empenho, a sua evolução e entrega, mas também os laços que críamos, juntos. Todos sentem-se parte de algo maior e isso é muito gratificante», diz Sandra Leal, a respeito do envolvimento da comunidade no projeto.
O Queijo Serra da Estrela, o Vinho do Dão, a Bordaleira e outros produtos endógenos do território também vão estar em destaque, sendo que «estes produtos fazem parte do cartão de identidade comum, são uma referência nacional e projetam o território além-fronteiras».
A Direção Artística é da responsabilidade da Associação Contracanto, António Leal e Sandra Leal, e os promotores são os Municípios de Nelas, Fornos de Algodres, Gouveia e Mangualde, sendo um projeto cofinanciado pelo Centro2020, Portugal 2020 e União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
«O adro da Igreja é o lugar de todos os encontros. Nos domingos de missa, é um corrupio de maledicência e inveja a entrar e de Fé e boa vontade a sair. Parece milagre! Nos sábados de feira, vinho, azeite, lã e queijo encontram-se em bancas improvisadas pelos homens e mulheres que os acarinham nas mãos, nos pés e no peito. Trocam-se histórias, experiências, cochichos e memórias. Às vezes, picardias também, porque “a ovelha da vizinha não pode ser melhor que a minha”. Nos dias de contrição, o confessionário (que é transparente para a Dona Divina de tão divina que se diz ser) é o lugar de todos os desabafos. Os segredos são mais que muitos e vão com o senhor padre para o túmulo, assim garante ele. Mas a D. Divina não tem nem a obrigação nem a moral que a obrigue ao sigilo. E, por isso, vive dos cardos que colhe no campo para a coalhada do queijo e dos segredos que colhe do confessionário que conta frequentemente ou cala para sempre a troco de uns trocos. E depois, há o esperado dia do Baile do Cardo na festa da terra. Todos os anos, pelo verão, o Adro da Igreja envaidece-se para receber todos: os da terra e os curiosos que vêm de terra alheia. A música é o pretexto para novas histórias, novos cochichos e novas memórias. Os senhores da terra oferecem o banquete. Os que a trabalham oferecem a alegria. Juntos… fazem o baile. Este ano, anda Gracinha nas bocas do mundo, perdida que está de amores pelo pastor Ramiro. O seu segredo, contado em confessionário ao Padre Augusto, rendeu bom dinheiro a Divina que, entretanto, tem telhados de vidro também e viu as bocas do povo trocarem de alimento para se encherem das fraquezas que o seu corpo também tem. E assim vai a vida na aldeia onde, apesar das picardias, algo maior e mais forte fala mais alto do que todos os cochichos para unir cada um num mesmo sentimento: este orgulho de pertencer ao Alto que o Mondego tem».















