Na passada terça-feira o mundo voltou a tremer. Pelo menos 21 pessoas morreram, incluindo 19 crianças e dois adultos num tiroteio que ocorreu numa escola primária na cidade de Uvalde, no estado norte-americano do Texas. Perante o índice crescente de casos de tiroteios em escolas, além do tremendo choque e empatia pelos familiares das vítimas, fica a grande dúvida na população: o que faz um jovem cometer tal ato?
Para esta questão não há uma única resposta, o que existe são hipóteses, que são específicas e diferentes para cada caso, não se pode generalizá-las. Desta forma, a partir de uma revisão de trinta episódios de tiroteios escolares, o Serviço Secreto dos Estados Unidos juntamente com o Departamento de Educação dos Estados Unidos elaborou um relatório em que se concluiu: “Não se pode construir um perfil característico dos estudantes atiradores (nem psicológico, nem demográfico), pelo menos não de forma escrupulosa. Porém, o relatório não descarta a existência de variáveis que podem ser identificadas em boa parte dos incidentes dessa natureza”.
As escolas são instituições educativas e um contexto onde muitas das competências sociais e emocionais das crianças e adolescentes são postas à prova e, tal como noutros contextos, também passam por grandes problemas que necessitam de intervenção e proteção imediata. Observa-se nos vários estudos realizados nos últimos anos que fatores como o bullying, o consumo excessivo de jogos e filmes violentos (em si não são diretamente responsáveis pela violência, mas sob determinados contextos podem influenciar os atos violentos), um contexto familiar destruturado e a psicopatologia são as principais causas apontadas como influenciadoras para a ação dos atiradores. Porém, esses fatores não são determinantes nem significa que alguém que tenha estas experiências de vida se torne num atirador. Estes fatores não podem ser analisados sozinhos ou generalizados. Deve-se sempre analisar os vários contextos e variáveis que permeiam a violência escolar. Cada indivíduo estabelece e desenvolve uma relação única com o ambiente no qual está inserido.
Assinala-se, assim, a urgente necessidade de contratar mais profissionais de saúde mental, tanto para os serviços de saúde primários, como para as escolas. Para além disso, é extremamente importante existir mais formação e preparação dos profissionais que já trabalham nas escolas, para que possam ter um olhar mais crítico das situações e problemas que ocorrem constantemente e para que possam ser mais capacitados ao realizarem acompanhamentos psicológicos e encaminhamentos. Muitos problemas são ignorados ou não recebem a devida atenção nas escolas por falta de profissionais ou falta de apoio, sendo esse fator importante para a eclosão de um possível massacre.
















