Rumo à certificação, Município de Resende cria manual de boas práticas para a produção de cereja

10/03/2022 10:22

O presidente da Câmara Municipal de Resende, Garcez Trindade, adiantou à agência Lusa que o município dispõe, agora, de um manual de boas práticas para a produção de cereja, de forma a produzir-se a maior qualidade e quantidade possível, com direito à certificação.

«Para chegarmos à certificação da cereja de Resende temos de ter produção em escala, quer em quantidade, como em qualidade, e esse foi o principal objetivo para a criação do Manual de Boas Práticas da Cultura da Cerejeira», explicou o autarca.

Ao longo de quatro anos, segundo explica o presidente da Câmara, o Grupo Operacional Valorização da Cereja de Resende desenvolveu um trabalho de investigação e de estudo, de forma a compilar as suas conclusões neste manual agora apresentado, garantindo que o objetivo deste manual passa por permitir que «os atuais produtores e também os vindouros» tenham «um apoio, orientação e conselhos nas práticas a usar na produção da cereja».

Uma quantidade, «aliada à qualidade», que «dará a possibilidade de chegar à exportação», acrescentou, admitindo que, em Resende, «a exportação ainda é muito pequena».

«O manual apresenta práticas e conselhos que dizem respeito a quase tudo, desde a escolha dos porta-enxertos, ou seja, aquilo com que se vai enxertar os pés das cerejeiras que foram plantadas, a fertilização das terras, o regadio ou o combate às pragas», especificou.

Garcez Trindade disse ainda estar convencido que «os produtores que seguirem estas boas práticas terão uma maior produção, em quantidade, e melhor, em qualidade», nomeadamente os que «começarem logo na plantação» da árvore.

«É uma planta que ainda demora, pelo menos, quatro a cinco anos a produzir e a minha expectativa é que, desde já, se comece a pôr em prática a fertilização das terras, que tem de continuar a ser feita, com o fornecimento dos elementos necessários» para a terra.

Também «deve ser feito um combate decidido e entendido às pragas, saber o que se está a fazer, saber que condutas se devem ter no combate às pragas, que já há algumas muito complicadas para a delicadeza deste fruto».

“Somos encosta com algum declive, o que torna o trabalho muito complicado, mas se estas práticas forem seguidas» e se forem adotadas, «em específico para os produtores» deste concelho do distrito de Viseu, «poderemos ter também cereja por mais tempo», defendeu.

Garcez Trindade adiante ainda que, atualmente, é possível «provar cerejas a partir de meados de abril, é das primeiras a aparecer na Europa, tendo em conta as condições climatéricas junto ao rio, e até ao fim de junho, início de julho ainda há cerejas em Resende, mas poderá ser possível alargar» este período.

O próximo passo, esclareceu o presidente da Câmara, é «tentar uma candidatura para a comercialização da cereja, sempre em parceria com os professores da UTAD, no sentido de uma melhor comercialização da cereja, que é a atividade agrícola que mais contribuiu para a atividade económica do concelho» de Resende.

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