Artigo de Opinião: (i)Literacia em Saúde – Ambiente e Saúde

06/11/2021 19:30

Já alguma vez se questionou sobre a água que bebe? E sobre a comida que come? Sabe para onde vão os dejetos e restos alimentares?

A descoberta do amoníaco feita pelo químico Fritz Haber em 1908 e industrializada, posteriormente, pelo químico Carl Bosch, permitiu, e permite hoje ainda, o desenvolvimento de fertilizantes para a agricultura. Sem isso, provavelmente, não teria sido possível a prosperidade que hoje temos no mundo: mais de 7 biliões de pessoas a viver e alimentar-se.

Não obstante, a utilização de fertilizantes, sejam eles artificiais (comercializados) ou naturais (vulgo, estrume) ajuda na produção agrícola e, consequentemente, vai ter influência na composição final dos alimentos. No que toca, por exemplo, à água do rio que vai para o mar, esta leva todo o lixo que nela deitado: desde os dejetos, aos resíduos de fábricas ou plásticos. Hoje em dia, existe tanto plástico nos oceanos que a probabilidade de comprar, cozinhar e comer um peixe com microplásticos na sua composição é elevadíssima.

Então, e qual o efeito do ambiente na nossa saúde?

No seu livro The reality bubble (versão portuguesa: Tudo o que não vemos), Ziya Tong explica como a interação entre seres humanos e ambiente é determinante para a vida sustentável de todos/as no mundo – homens, mulheres, animais, natureza. 

A quantidade de gases emitidos para a atmosfera (clorofluorcarbonetos, metano, entre outros) através de, por exemplo, sprays leva à degradação da camada de ozono (que nos protege das radiações solares nocivas) e com isso as radiações solares mais perigosas ao ser humano podem levar ao desenvolvimento de cancro da pele.

A desflorestação massiva leva à diminuição tanto da produção de oxigénio como da retenção de dióxido de carbono. Isto associado ao nível exorbitante de dióxido de carbono que é emitido para a atmosfera (carros, indústria fabril, entre outros), leva ao aumento do efeito de estufa e, consequentemente, ao aumento da temperatura atmosférica e dos oceanos, bem como a deterioração da qualidade do ar. Deste modo, problemas respiratórios podem acontecer pela inalação de ar poluído, como, por exemplo, pneumonias.

Assim, a questão não é unidirecional (ambiente -> ser humano), mas sim bidirecional (ser humano -> ambiente; ambiente -> ser humano). Os efeitos resultam de uma interação e esta é recíproca e interdependente. Se queremos viver num mundo com saúde temos de ter ações de qualidade que façam bem a todos/as e ao que nos rodeia. 

Proteger o ambiente é também proteger a nossa Saúde!

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