Os pais bem informados conhecem a importância da prática desportiva para o desenvolvimento dos seus filhos. No entanto, sentem por vezes dificuldades em escolher a modalidade concreta para essa prática.
Esta escolha deve pautar-se pelo gosto que a criança tem por esse desporto. A paixão é importante. Todos devemos ajudar na escolha da modalidade, porque cada uma tem as suas especificidades, mas deixar que seja a própria criança/jovem a decidir. Poderá mesmo experimentar várias.
Se o “desporto de rua”, prática espontânea entre crianças da mesma zona, desapareceu, em compensação o aparecimento de centros/escolas para o ensino organizado da prática desportiva cresceu e hoje a oferta é mais variada e com qualidade. No entanto, as crianças são capazes de organizar competições e já sabem quem são os melhores (quando escolhem as equipas, os primeiros a serem escolhidos são sempre os melhores), não precisando da competição tão formal para o saber. Neste contexto do jogo infantil, a competição tem um alcance formativo, porquanto são as próprias a valorizar o que se é capaz de fazer e não quem ganha. O processo é sempre mais importante que o resultado. É ao desporto federado que cabe proceder a transformações profundas que permitam corrigir erros que vêm sendo praticados com crianças, em particular com as que têm menos de 12 anos.
A prática desportiva tem uma influência favorável sobre o organismo em crescimento. É indispensável durante a infância e adolescência, de modo a assegurar um desenvolvimento saudável.
Num estudo1 realizado a propósito do confinamento, a que todos fomos sujeitos, foram identificados, imediatamente, fatores de risco para jovens atletas: isolamento social, diminuição da atividade física, rotinas alteradas ou inexistentes, incerteza, stress familiar (económico?!) e desaparecimento da possibilidade de competir.
Concluiu-se que quem é praticante desportivo superou melhor o confinamento. Porquê? Porque desporto é superação. Os desportistas são resilientes. Têm paixão. Têm tenacidade. Têm capacidade de responder a situações difíceis e de lidar com a adversidade (capacidade de adaptação). Praticam exercício físico (mesmo que limitado). Têm uma alimentação mais cuidada. Sobrepõem o coletivo ao individual e demonstram espírito de sacrifício, entreajuda e solidariedade. Durante o confinamento, a equipa funcionou como rede/suporte e mantiveram-se os contactos (via novas tecnologias) com os colegas e treinadores.
O professor Jorge Silvério explica na perfeição estes resultados através da tenacidade:

Quando as crianças praticam uma atividade desportiva, o seu organismo adapta-se ao esforço. Estas adaptações manifestam-se ao nível do sistema cardiorrespiratório e muscular. O sistema cardiorrespiratório não se desenvolve na mesma maneira nas crianças que treinam regularmente e nas crianças sedentárias. Esta diferença traduz-se, entre outras, por diferenças nas capacidades funcionais.
As crianças e os jovens têm necessidade de muito movimento para que o seu organismo se desenvolva harmoniosamente. Por esse motivo, a prática de atividades físicas e desportivas deve ser encorajada.
Perante tudo isto, só resta aconselhar que a criança pratique desporto. Tão só, e somente isto!
















