Consumo de insetos legalizado em Portugal

29/06/2021 11:15

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) autorizou, esta segunda-feira, ao abrigo do “Regulamento Europeu para Novos Alimentos” a colocação no mercado, de forma transitória, de alguns insetos.

São sete as espécies de insetos que a DGAV permitiu a comercialização em Portugal, entre eles, dois tipos de grilos, dois tipos de larvas, dois géneros de gafanhotos e um besouro. Os insetos podem ser comercializados inteiros, mas têm que estar mortos ou então moídos como se fossem farinha.

A DGAV sublinha que existem duas pré-condições para que os insetos possam ser comercializados em Portugal neste período de transição: “terem sido legalmente colocados no mercado num país da União antes de 01 de janeiro de 2018” e, “ter sido pedida a autorização como novo alimento ou alimento tradicional de país terceiro antes de 01 de janeiro de 2019”. Por outro lado “a importação de países terceiros só é permitida desde que constem da lista da UE dos novos alimentos autorizados”, são eles o Canadá, a Suíça, a Coreia do Sul, a Tailândia e o Vietname.

Estes sete insetos são uma pequena parte de uma lista que a Organização das Nações Unidas para a alimentação estima ser muito maior. A FAO coloca 1900 espécies de insetos com capacidade para a alimentação humana, tendo este cenário em vista. 

A União Europeia anda há seis anos às voltas com autorizações para a entrada de novos alimentos, desde que isso “não represente um risco de segurança para a saúde humana”.

Apesar de tudo é preciso ter em atenção de acordo com o comunicado da DGAV que algumas “espécies de insetos podem causar alergias ou alergias cruzadas, especialmente para quem sofre de alergia a marisco”, por isso, é importante que nos rótulos das embalagens os consumidores sejam informados de que um alimento contém insetos.

Em declarações à TSF, Guilherme Pereira, da Portugal Bugs, refere: “Era disto que estávamos à espera para podermos avançar com a comercialização dos nossos produtos, já vimos, há mais de três anos, a tentar que isto aconteça e é bom que agora já possamos avançar e começar a trabalhar”.

O criador de insetos e produtor de barras alimentares de farinha de insetos, instalado no norte do país, revela como são produzidos os insetos para alimentação humana: “Muitas pessoas pensam que os insetos são apanhados ao ar livre. Este tipo de insetos são criados em condições controladas de temperatura e humidade e conseguimos controlar os substratos de que eles se alimentam”. Para a alimentação dos bichos podem ser usados “subprodutos da indústria alimentar como as leveduras de cervejas ou desperdício de cereais mas neste preciso momento a maior parte dos insetos são alimentados à base de farelos e outros tipos de produtos”, revela Guilherme Pereira.

Na opinião deste produtor “faz sentido utilizarmos os insetos para a alimentação humana, transformá-los e aplicá-los em forma de farinha em produtos, como barras proteicas, chocolates, preparados de proteína, mas também há quem esteja a trabalhar para alimentação animal, como peixes, foi também recentemente aprovado o uso para porcos e aves, e também o mercado para rações de animais de companhia”.

Guilherme Pereira confessa que em Portugal este é um “mercado de nicho que está a começar” mas “é necessário desmistificar a ideia de que consumir insetos é algo de diferente”. Mas para o futuro, “estamos muito otimistas em relação aquilo que pode ser o mercado nos próximos anos”, conclui.

Fonte: TSF

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