ARTIGO DE OPINIÃO: O Poema diz o Mundo (Poemas do Confinamento)

23/06/2021 19:30

Escrever sobre um Amigo é tarefa arrepiante, mais ainda sobre os versos que escreve em tempos de confinamento inquietante. O José Lapa decidiu apresentar o seu livro de poemas O POEMA DIZ O MUNDO (Poemas do Confinamento), como o subtítulo indica um abraço de poemas escritos durante tempos difíceis e inquietantes de confinamento pela pandemia da Covid 19. Múltiplas obras começam agora a dar à estampa, desenhados e escritos em tempos de Pandemia, desenvolvendo a problemática e os seus efeitos na inquietação criativa de múltiplas perspetivas. O Lapa inquieto, o Lapa interrogador, o Lapa desafiador tomou em si mesmo este novo desafio e apresenta-nos um interessante conjunto de poemas do Confinamento… 

É muito estreita e clara a relação sensorial entre os efeitos da Pandemia e o princípio destes “poemas do confinamento”, como chegam a ser denominados…”enquanto se forma o crepúsculo” deixado por uma imprevisibilidade social, cultural e sanitária, o José Lapa foi “ construindo lugares de silêncio”… e em versos se deixou, se comprometeu, em “alimentar o deserto límpido do silêncio”… e enquanto parados num tempo amaldiçoado, os versos tornaram-se como que catarse de um tempo e desafio de palavras, versos através dos quais encontrou fórmulas de reinventar um mundo apocalíptico, como que “regressado ao lugar vegetal” que tanto ama nas veredas verdejantes, nos prados floridos, nas matas fartas de verdes e rumores naturais… e em muitos versos se envolve e revolve nesse puro amor vegetal, “viajando pelos ecos do mundo” através de cada verso… palavras com as palavras…

Para o José Lapa a Poesia é como o sangue que corre nas nossas veias… “a poesia faz-nos sentir vivos” sobretudo quando a primavera já não nos resta, levada ou manchada por um vírus ensurdecedor… os versos tornam-se assim as armas em palavras para lutarmos contra alguns medos…” porque o medo se alimenta do nosso medo”… e “valha-nos o Poema onde cresce a coragem que nos devolva a eternidade de não ter medo!”.

Por entre tantos versos (uns de silêncio, outros de sussurro, outros de raiva, outros de medo) reconhece José Lapa o princípio de tantos poemas, “os tempos do desassossego” para “libertar as palavras que nos salvam”… porque é no fim de tudo (a Morte) que se encontra o princípio … e “é no fim de um poema que está o seu início!” Recomenda-se a leitura (porque a Poesia é a primeira e maior verdade da vida). 

Abraço poético!


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