D. António Luciano: “A Igreja passou por uma experiência de deserto, mas eu almejo que ela se torne uma de autoestrada.”

06/09/2020 12:00

Pouco mais de três meses após a reabertura dos locais de culto, a Diocese de Viseu e as suas 208 paróquias continuam a adaptar-se a uma realidade marcada pela redução do número de fiéis nas igrejas, de peregrinos e de receitas. Em tempo de pandemia, outros casos mediáticos vieram ao de cima, como, em março, durante o estado de emergência, a suspensão de uma missa, em Santiago de Cassurrães (Mangualde), pela GNR; ou o dos três padres que, em agosto, testaram positivo à Covid-19, após terem participado num retiro espiritual, em Vila Nova de Gaia.

Questionado se a fé e o espírito de missão saem fragilizados ou reforçados com a pandemia, D. António Luciano, Bispo de Viseu, espera que saiam reforçados. «Acabei de escrever um texto que tem por título “Um futuro com horizonte” e assenta, precisamente, numa reflexão sobre a pandemia. O confinamento foi uma coisa terrível. A pandemia afetou demasiada gente, morreram muitas pessoas. O nosso Papa Francisco referiu que a Igreja tem de ser uma em saída. O próprio Jesus disse: “ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho”, e a Igreja viu-se confinada, anunciou o Evangelho dentro de quatro paredes e chegou ao coração e à vida de muita gente através das novas tecnologias. E, por isso, a Igreja passou por uma experiência, digamos que, de deserto, mas eu almejo que ela se torne uma de autoestrada. Temos de continuar a cumprir as regras da Direção Geral de Saúde, mas eu espero que, depois da pandemia e apesar de não sabermos como será a nova normalidade, todos possamos ficar um pouco melhor. Agora, isso, depende também de cada um de nós, do esforço que fizermos.»

Setembro é um mês marcado por algumas das mais importantes celebrações marianas no distrito, como a de Nossa Senhora do Castelo, em Mangualde; a de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego; a de Nossa Senhora da Lapa, em Sernancelhe; a de Nossa Senhora da Esperança, em Abrunhosa, Sátão; e a de Santa Eufêmia, em Cepões, Viseu.

Para o Bispo de Viseu, estas celebrações religiosas são bons momentos para relembrarmos que «temos diante de nós um modelo, o exemplo de Maria, com a sua vida e as suas virtudes. Ela ensina-nos o verdadeiro caminho no serviço, no cuidar dos outros e, igualmente, o caminho que nos há-de conduzir até Deus. Maria é precisamente esse caminho humano, que se foi, também, divinizando pela santidade da vida que ela recebeu de Deus. Por isso hoje, Ela continua no céu, na glória de seu Filho, a interceder e a cuidar de nós que, na terra, somos devotos. Ao continuar a anunciar o Reino de Deus, Ela leva ao mundo esperança e esta é a beleza de Maria. Sendo Ela a Estrela da nova evangelização, aponta-nos um rumo novo para todos sermos melhores e mais felizes.»

O prelado deixa ainda a mensagem aos seguidores de que as peregrinações podem ser feitas de um modo diferente e que, «se Deus quiser, a pandemia será afastada e a normalidade reposta no próximo ano.»

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