Covid-19 nas artes e cultura. “Mais do que financeiro, um impacto psicológico”

15/08/2020 12:03

As «Marias Malucas – Romeiras de Portugal» , marcam presença em muitos dos eventos do distrito de Viseu. Com a Covid-19, dos 81 espetáculos agendados para 2020, só se realizaram seis. Mais do que a quebra financeira, as duas animadoras sentem falta do contacto com o público.

Se falarmos em Alexandra Nogueira e Arlinda Almeida, grande parte dos leitores não saberão de quem sem trata, mas o mesmo não acontece, se trouxermos ao assunto o nome «Marias Malucas – Romeiras de Portugal». Na interpretação dos seus “papéis”, estas duas artistas dizem, em jeito de brincadeira, que são naturais de Pinanço de Cima mas, na realidade têm origens nos concelhos de Armamar e Moimenta da Beira.

Presença assídua nos eventos da região de Viseu, em 2020 as «Marias» só conseguiram animar o público por seis ocasiões.

“Todos os anos aumentavam as marcações. Em 2019, por exemplo, fizemos 71 presenças e este ano foram só seis, a último das quais em março”, esclarece Alexandra Nogueira.

Perspetivava-se um grande ano para este projeto criado em 2008, com 81 espetáculos agendados por todo o país e a presença num programa televisivo. Além de Viseu, as «Marias Malucas – Romeiras de Portugal» estariam no Alentejo e na zona da Grande Lisboa. “Alguns foram adiados para 2021, outros acabaram por ser cancelados”, explica.

Além da quebra financeira, os cancelamentos tiveram um impacto psicológico sobre as artistas.

“Foi um corte radical da proximidade que tínhamos com as pessoas. Tudo mudou rapidamente, ninguém estava preparado. Já temos imensas saudades do público com quem contactávamos nas feiras, casamentos e jantares. Talvez seja um aviso para acalmar a vida acelerada que todos nós vivemos”, reflete Alexandra Nogueira.

Apesar de terem recebido alguns pedidos, recentemente, para eventos em setembro e outubro, as «Marias Malucas – Romeiras de Portugal» acabaram por rejeitar: “As nossas personagens têm contacto direto com as pessoas. No toque, nas gargalhadas e nas expressões faciais. Não será fácil realizar trabalhos de máscara e com distanciamento. Por isso, vamos aguardar com um enorme desejo de voltar a estar com os nossos clientes e o público em geral”.

Alexandra Nogueira prefere não comentar os apoios dados pelo Estado ao setor cultural, apesar de afirmar que muitos “vão esmorecer, abandonar e, pior que isso, desistir. Seja por falta de apoios, pelo tempo que estiveram parados, pela solidão ou distância do público. Esta é uma área de loucos saudáveis, de amor, paixão, luzes, barulho e muito público. Não está, nem vai ser fácil.”

“Um abraço apertado a todos, desde o mais pequeno ao maior artista, músico, luzes, som, bandas, palhaços, cantores. Estamos com vocês”, finaliza.

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