Vítor Santos participa em coletânea “A ética no desporto nas entrelinhas da imprensa”

17/06/2023 12:30

“A ética no desporto nas entrelinhas da imprensa” é o título do livro publicado pelo Plano Nacional de Ética no Desporto, em colaboração com o CNID – Associação dos Jornalista de Desporto e as Edições Afrontamento.

«Porque é que uma história nos comove? Porque é que o exemplo tem tanta força? E porque é que comunicar com valores é um dever dos jornalistas? As respostas a estas e outras questões do mesmo tipo pode o leitor encontrá-las através da leitura deste livro» escreve José Lima no prefácio.

Nesta publicação encontramos, entre outros, textos de Luís Cristóvão, Duarte Gomes, Marina Guerra, Pedro Cádima, Jorge Machado, Vítor Santos, Cláudia Oliveira e Liliana Carona.

O viseense Vítor Santos contribui com 16 trabalhos para esta obra, em que aborda a ética desportiva de uma forma original e direcionada aos vários agentes desportivos: atletas, treinadores, dirigentes, pais de atletas, jornalistas, árbitros e adeptos.

As “cartas” são os trabalhos mais apreciados e partilhados. Mas o artigo “silence is gold” relata uma experiência em Inglaterra sobre o comportamento dos adultos bastante interessante e exemplificativa.

Para o autor de trabalhos particularmente sobre o lado pessoal e social do desporto «os textos parecem que foram escritos hoje. Estão atuais. Penso que seja um mau indicador! Que não evoluímos nada.».

Desde 2016 que Vítor Santos tem visto o seu trabalho reconhecido no país. «Ser independente dá imenso trabalho. Trabalho que é muito mais do que aquilo que se vê. São muitas horas de preparação para o resultado. Faço sempre questão de referir que o meu trabalho é de quem andou no campo e partilha a sua experiência. A minha vivência. Um dos textos é mesmo constituído por testemunhos na primeira pessoa: táticas e modelos comportamentais» refere o autor do livro “Educar o Sonho: ética e envolvimento parental na prática desportiva”.

Vítor Santos tem percorrido o país e reconhece que a publicação da Federação Portuguesa de Futebol, na sua Revista 360, em 2017, validou o seu trabalho e não hesita em falar de desconhecimento. «No desporto temos de procurar gerir o futuro e não pensar que vai ser sempre igual ao presente. A formação é feita de etapas e esta é difícil de compreender pelos pais e por alguns treinadores.»

Convidado a contar dois episódios: uma boa e má prática, Vítor Santos começou por reportar aquela que foi para si a situação mais desumana que a sua equipa viveu. «No campeonato nacional de iniciados fomos contactados, a meio da semana, para adiarmos um jogo por motivos de falecimento de um atleta da equipa que íamos defrontar. Nem se hesitou na resposta. Adiamento feito. Passado duas dezenas de dias, para aí, fomos realizar esse jogo num feriado a meio da semana. Um jogo muito disputado e a certa altura ouve-se uma voz muito forte: “A culpa é nossa em aceitar adiar o jogo. Morreu…enterra-se!!». Bom… fez-se um silêncio naquele campo. Quem estava no campo, árbitros incluídos, parou a olhar para a bancada. Quem estava no banco levantou-se e virou-se para a bancada… Mas foram ali 30 a 40 segundos de um silêncio… até que rebenta a confusão e o homem (pai de um atleta meu) foi retirado pela GNR do campo. No balneário só se comentava o assunto e o filho tentava passar despercebido. Naquele momento só queria ser invisível. Mas condenamos imediatamente aquela atitude. Hoje aplaudem quem insulta e agride só porque é do mesmo clube naquele instante!!»

E uma boa prática … «Felizmente tenho muitas. O desporto é generoso. Mas de positivo posso realçar a equipa de sub10 do Sport Viseu e Benfica. Aqueles meninos e meninas tinham uma alegria que era contagiante. Não ganhávamos a nenhuma equipa, mas o sorriso estava sempre presente. Fantástico o comportamento que este/as atletas tinham. Um golo marcado era festejado como se da Champions se tratasse. A última equipa que treinei, juvenis B do Académico de Viseu também foi especial. A base desta equipa já vinha desde os sub 10 e comigo já tinham trabalhado 2 épocas. Muita cumplicidade entre todos e com resultados desportivos e sociais muito importantes. Os pais e mães formaram um grupo muito bom, foram os melhores que encontrei. Não tinha melhor equipa para deixar o treino. Estou muito grato ao desporto pelo muito que me tem proporcionado».

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