ARTIGO DE OPINIÃO – Professores com Ansiedade e Depressão: Quais as diferenças? Para onde caminhamos?

25/01/2024 18:30

O fenómeno crescente da ansiedade e depressão entre os professores requer uma abordagem holística. É imperativo que as instituições educacionais reconheçam este desafio e implementem estratégias eficazes de apoio emocional. Ao compreender as diferenças entre ansiedade e depressão e abordar suas causas subjacentes, podemos trabalhar em direção a um ambiente educacional mais saudável e sustentável para os profissionais que desempenham um papel fundamental na formação das gerações futuras.

O tema da ansiedade e depressão entre os professores tem sido objeto de crescente interesse na sociedade contemporânea. Esta opinião procura explorar as nuances destes transtornos, destacando as diferenças entre ansiedade e depressão, enquanto examina as razões por trás do aumento desses problemas entre os profissionais da educação.

A ansiedade e a depressão são distúrbios emocionais distintos, embora partilhem algumas características. A ansiedade manifesta-se frequentemente através de preocupações excessivas, tensão, inquietação e medos constantes, enquanto a depressão caracteriza-se por sentimentos persistentes de tristeza, falta de interesse e energia reduzida.

Autores como Beck (1967) e Barlow (2002) têm destacado as bases cognitivas da ansiedade, enquanto autores como Beck (1979) e Kessler et al. (2003) têm contribuído para a compreensão da depressão, focando fatores como distorções cognitivas e eventos estressantes.

O aumento das exigências académicas e administrativas sobrecarrega os professores, criando um ambiente propício para a ansiedade. A constante necessidade de lidar com tarefas múltiplas e metas cada vez mais elevadas contribui para um ambiente estressante, a complexidade das relações com alunos e pais adiciona uma carga emocional considerável; pressão para acompanhar às expectativas dos pais, ao mesmo tempo em que se lida com comportamentos desafiadores dos alunos, pode desencadear tanto ansiedade quanto depressão; a falta de reconhecimento adequado pelo trabalho árduo e dedicado pode levar à desmotivação e sentimentos de desvalorização. O ambiente escolar, muitas vezes, não proporciona o suporte emocional necessário.

A cultura organizacional e o ambiente escolar desempenham papéis cruciais. Escolas com políticas inadequadas de apoio psicológico e programas de bem-estar são propensas a contribuir para o aumento da ansiedade e depressão entre os professores.

A crescente incidência de ansiedade e depressão entre os professores é um sinal alarmante das pressões enfrentadas no ambiente educacional. A opinião aqui destaca a necessidade urgente de atenção e ação por parte das instituições educacionais, governos e sociedade como um todo. Ignorar estes desafios pode ter consequências profundas não apenas para os educadores, mas também para o sistema educacional e, por extensão, para as gerações futuras. É crucial implementar medidas eficazes para apoiar a saúde mental dos professores e, assim, preservar a qualidade do ensino e o bem-estar de todos os envolvidos no processo educativo.

Referências Bibliográficas:

Beck, A. T. (1967). Depression: Clinical, Experimental, and Theoretical Aspects.

Barlow, D. H. (2002). Anxiety and its disorders: The nature and treatment of anxiety and panic.

Beck, A. T. (1979). Cognitive Therapy and the Emotional Disorders.

Kessler, R. C., et al. (2003). The epidemiology of major depressive disorder: Results from the National Comorbidity Survey Replication (NCS-R).

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