ARTIGO DE OPINIÃO: De que adianta conhecer outros planetas se neste planeta há tantas misérias sem soluções?

23/01/2023 18:30

De que adianta conhecer outros planetas se neste planeta há tantas misérias sem soluções?

Nesta breve abordagem, pretende-se fazer pequena reflexão/análise crítica sobre o tema: “Nada é novo, mas tudo mudou” cujo autor é (Nóvoa, A.,2021).

A escolha do tema foi eleito pela investigadora, e deve-se ao facto de se tratar de uma questão bastante preocupante, uma vez que o “mundo” “parou”, “pulou” e “avançou”! O seu discurso é empolgante. A sua dimensão política é inegável e no discorrer do seu discurso, reiteramos os debates sobre o futuro da Educação; a necessidade de repensar o modelo escolar; aceitação de um contrato social; a consolidação de uma estrutura organizacional e a consagração da aula como base de uma pedagogia. O artigo fecha e percorre diversos pensamentos e perspetivas aos primeiros sinais de mudança do paradigma educativo; hipervaloriza as novas tecnologias assim como a ideia que o ensino aprendizagem pode ser garantido à distância. Contudo, é tempo de lembrar que a escola é um espaço de socialização. Palavras –chave: Futuro da educação; Pandemia; Mudança de Educação.

Pensar o futuro é uma prática difícil e, muitas vezes precisamos de ser seres criteriosos, quando o país atravessa uma fase de grande desânimo, o “professor” e neste caso “formando” pode desempenhar o mais valioso dos papéis – fazer passar aos seus “alunos” e “professores/doutores” a mensagem de que o sucesso pessoal e coletivo só se alcançam quando exercemos uma profissão de que gostamos e em cujos objetivos acreditamos. Sem uma formação sólida e credível dos cidadãos a sociedade não progride. E é neste contexto, e estando definitivamente no séc. XXI, a vida na sociedade atual requer um novo modelo educativo, centrado na aquisição e desenvolvimento de competências, que nos permitam fazer face às constantes mutações. Precisamos de estar com olhos abertos, e ter um pensamento que não se feche com intuito de termos esperança de um futuro com sucesso e mais profissional. Na ótica de (Reinhart K. (1990), “ interessa-me compreender de que modo o passado está inscrito na nossa experiência atual e de que modo o futuro se insinua já na história presente”. Nóvoa no seu artigo, espelha o seu gosto pela temática Educação.

Microsoft Word – Artigo de Opinião janeiro

O artigo está organizado de forma lógica, e sinaliza simbolicamente, quatro momentos essenciais. O autor do artigo é claro e verbaliza pensamentos últimos estruturados na mudança da escola, que a “pandemia” pode ter sido o motor de arranque. No entanto, pode reler-se que este pensamento sobre o futuro da educação e a necessidade de repensar o modelo escolar começou muito antes da crise pandêmica. Existem momentos na história que determinam profundas alterações, basta olhar-se para trás no passado e concluir que os maiores avanços da sociedade se processaram após grandes crises. No entanto, esta pandemia mostrou que esses avanços eram possíveis, por isso enunciam-se três modelos basilares: o contrato social, a estrutura organizacional e a pedagogia atual. E é nesta linha que a educação necessita de ser repensada, como referem os autores “ a pandemia tornou inevitável o que já era necessário”.

Através das três dimensões do modelo escolar, referidas no artigo, é feita a avaliação das respostas da educação dadas durante a pandemia. Segundo os autores (Nóvoa &Yara, 2020) verificou-se que:

– Os sistemas nacionais de educação dependiam de plataformas e conteúdos de terceiros, não conseguindo garantir o acesso digital a todos os alunos, mostrando- se desta forma frágil e inconsistente;

– Apesar da resposta dada pelas escolas, implementadas soluções e estratégias adequadas, verificou-se que a importância da relação escola, famílias, alunos e comunidades locais é fundamental;

– É evidente a importância dos professores para o presente e o futuro da educação. Por meio da sua autonomia profissional e dinâmica de colaboração delinearam e implementaram soluções pedagógicas com o foco no aluno e a sua inclusão.

Os autores referem, de acordo com (Greene,1982), a necessidade de uma transformação, valorizando os professores e a humanidade da educação, nas relações com a sociedade e o conhecimento, sustentadas nas experiências já implementadas, um pouco por todo mundo.

Às três bases do modelo escolar, propõe-se então o início de uma metamorfose, com o foco de contrato social nos processos educacionais, por meios formais e informais, dentro e fora da escola, ideia anteriormente apresentada pelo movimento de Educação Permanente. Por outro lado, é referida a necessidade de criar novos ambientes educacionais, diversificando espaços e tempos, currículos e formas de avaliação, assim como o trabalho de professores e alunos. Por último, urge a necessidade de abandonar a ideia de uma pedagogia padrão, colocando os alunos em uma busca ativa pelo conhecimento e enfatizando a responsabilidade dos professores em relação ao trabalho educativo global com os seus pares, com o foco no aluno.

Destaque de citações relevantes

“Ainda o modelo escolar estava em fase de consolidação, (…), e já alguns educadores o criticavam.” (p.7);

“Hoje, não é possível pensar a educação fora dos debates ecológicos e da nossa responsabilidade face a estilos de vida, a modelos económicos e a práticas de consumo que estão a destruir a nossa “casa comum”. ( p. 14);

“…apesar de não haver nada de novo, assiste-se, de repente, a um processo de aceleração e de profundas transformações (NÓVOA; ALVIM, 2020).”p.3

Em jeito de conclusão e para finalizar esta reflexão, este artigo leva-nos a questionar, tal como e de acordo com uma frase de (Cury, Augusto 2006, pág. 67) – de que adianta conhecer outros planetas se neste planeta há tantas misérias sem soluções? Assim está o futuro da educação, ou seja, este terá que ser repensado, o que é agora não será o de amanhã, exemplo disso, temos o massivo digital. Teremos que alargar as pesquisas científicas, no entanto, temos que colocar os nossos alunos em confronto com a realidade e com o mundo real.

No mundo atual, repleto de desafios, em que a sociedade exige cada vez mais do cidadão, é importante que os professores, como elementos fundamentais na formação para a cidadania, desenvolvam profissionalmente capacidades e competências que os façam pensar e refletir sobre a realidade, isto porque, a velocidade em que acontecem as mudanças no mundo, são as futuras transformações que vêm impactando comportamentos da sociedade atual.

Bibliografia:

Cury Augusto ( 2006). Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes.

Morin, E. (2010). Éloge de la métamorphose. Le Monde.

Greene, M. (1982). Educação pública e o espaço público. Pesquisador educacional, 11 (6), 4-9.

Nóvoa, A. (2019). Os professores e sua formação em um momento de metamorfose escolar. Educação & Realidade, 44 (3), 1-14.

Nóvoa, A. (2020). Nada é novo, mas tudo mudou: um olhar sobre a escola do futuro. Educação & Realidade, 49 (2), 35-41.

Greene, M. (1982). Educação pública e o espaço público. Pesquisador educacional, 11 (6), 4-9.

KOSELLECK, Reinhart (1990). Le Futur passé – Contribution à la sémantique des temps historiques. Paris: Éditions de l’École des hautes études en sciences sociales.

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