ARTIGO DE OPINIÃO: Autoestima e autoimagem

14/10/2023 16:00

A autoestima e a autoimagem são conceitos que se relacionam com o bem-estar de cada pessoa e com a forma como nos posicionamos nas nossas relações pessoais e profissionais e até mesmo como lidamos com os vários desafios do dia-a-dia.

Entende-se, globalmente, por autoestima um conjunto de ideias, opiniões e sentimentos do indivíduo sobre o seu próprio valor, competência e sentimento de pertença, que se refletem numa atitude positiva ou negativa em relação a si mesmo. O termo autoestima está ligado à avaliação do indivíduo por si mesmo, a maneira como ele se sente diante dos seus feitos e dos seus relacionamentos, ou seja, a satisfação do indivíduo como um todo. Não é estática, pois apresenta altos e baixos. A autoestima é importante porque nos permite viver com verdade, assumir quer as nossas qualidades quer as nossas vulnerabilidades, acreditar nos nossos valores e ideais e fazer as escolhas certas. Não é garantido que uma boa autoestima nos garanta o sucesso, no entanto ajuda-nos a ultrapassar situações em que as coisas não nos correm como idealizamos.

As pessoas com boa autoestima sentem-se valorizadas e aceites pelos outros, sentem que merecem ser tratadas com justiça e respeito e aceitam-se e respeitam-se a si próprias. Assim sendo, mesmo quando falham ou cometem erros, não se martirizam. Ainda que não consigam à primeira, continuam a ser capazes de reconhecer as suas qualidades e pontos fortes.

As pessoas com baixa autoestima têm pior opinião sobre si próprias e sentem-se desadequadas, inferiores, não merecedoras de coisas boas. Focam-se nas vezes que falharam ou não tiveram sucesso ao invés dos desafios já ultrapassados. Para além disso, criticam-se e são duras consigo próprias, sentem-se inseguras e veem-se como tendo muitos defeitos. Pessoas com baixa autoestima esperam que as outras pessoas não as aceitem e até que as tratem mal, duvidam das suas capacidades para fazer as coisas bem feitas e para terem sucesso.

A nossa autoestima, ou seja, a forma como aprendemos a pensar e a sentir sobre nós próprios, pode ser influenciada pelos nossos pais, professores e outras pessoas importantes para nós durante o nosso crescimento. Quando somos crianças, os adultos influenciam as ideias que desenvolvemos sobre nós próprios e aprendemos a olhar-nos como sentimos que os outros nos olham. Quando os adultos se focam nas coisas boas que somos, nos encorajam e apoiam, a autoestima cresce saudavelmente. Mas se os adultos à nossa volta passam mais tempo a criticar-nos do que a elogiar-nos, pode ser mais difícil desenvolver uma boa autoestima.

Já o termo autoimagem é utilizado para a forma como o indivíduo pensa e se sente acerca da sua imagem e do seu corpo (e também o que pensa que os outros veem no seu corpo). A autoimagem é importante na construção da autoestima, embora não seja o único fator a ter em conta.

As pessoas com uma autoimagem positiva sentem-se satisfeitas e felizes com o seu corpo, com sentimentos de orgulho e otimismo. Além disso, implica que se compreenda que a aparência não é um reflexo do caráter ou valor da pessoa.

As pessoas com uma autoimagem negativa sentem-se insatisfeitas e infelizes com o seu corpo. O corpo é frequentemente associado ao valor da pessoa, de forma negativa.

Em conclusão, devemos começar por refletir se somos muito duros e exigentes connosco próprios. Devemos ter em atenção as expectativas irrealistas que colocamos e substituir a necessidade de perfeição por um esforço para dar o nosso melhor. Todos os seres humanos falham e cometem erros, é a natureza humana. Porque haveríamos de ser diferentes? Tentar aceitar os nossos erros e a forma como somos, permitindo a nós próprios sentirmo-nos bem com aquilo que fazemos e conseguimos.

Não faz sentido cair na teia da comparação com os outros, sendo que para isso partimos de uma posição de inferioridade e de irrealidade, tendo em conta que não conhecemos os fatores da outra pessoa para ter atingido determinado objetivo, por exemplo. Mais vale voltarmos o foco para nós próprios e compararmo-nos com o nosso percurso pessoal, estabelecer objetivos realistas e tentar tirar o máximo partido dos nossos pontos fortes e capacidades. Dar o nosso melhor, um dia de cada vez. Toda a gente tem pontos fortes diferentes e é bom a fazer coisas diferentes. Ao invés de tentar uniformizar e padronizar a população, o foco da sociedade deveria ser tirar o melhor de cada um. Efetivamente, se uma criança for boa a desenhar, mas tiver dificuldades a matemática, talvez o foco deveria não ser arranjar um explicador de matemática, mas sim uma escola ligada às artes.

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