ARTIGO DE OPINIÃO: A EPC a caminhar!

28/01/2024 17:00

O convite surgiu! Eu, Diretora Pedagógica da Escola Profissional de Carvalhais – São Pedro do Sul, Paula Jorge, aceitei! Vamos a isso!

Somos uma Escola Profissional que aposta, prioritariamente, no domínio do saber-fazer. Temos diversas áreas, mas, hoje, vamos explorar a Restauração. Para isso, entrevistamos o Diretor de Curso de Restauração da EPC, Daniel Mota.

Quais são os seus objetivos, enquanto Diretor de Curso, para o curso de Restauração?

– Temos assistido, nos últimos anos, a inúmeras mudanças no setor. A formação profissional deve estar preparada para apoiar estas transformações. Tenho grandes ambições a curto e a médio prazo para que o curso de Restauração da nossa escola continue a dar resposta positiva aos inúmeros desafios. Acredito que é importante manter a exigência que temos conseguido incutir nos nossos alunos, que tão bem os prepara para a realidade, mas é igualmente importante dar-lhes mais autonomia para desenvolverem as atividades. É difícil passar essa mensagem para uma geração que não tem reconhecido a meritocracia.

Dentro da Restauração que áreas são exploradas?

– Na Escola Profissional de Carvalhais, o curso de Restauração abrange as áreas do Restaurante, Bar, Cozinha e Pastelaria. Almejamos investir mais, a curto prazo, na área da Panificação. Existe uma enorme procura. Será uma boa oportunidade para quem tiver preferência em construir carreira nesta área.

Na sua opinião, a que tipo de alunos pretende a área da Restauração chegar?

– De uma forma geral, aos alunos que privilegiam a aprendizagem através da ação, do domínio do saber-fazer. Estes alunos preferem, literalmente, aprender “metendo a mão na massa.” Os alunos mais académicos, normalmente, trilham outros caminhos. Pretendemos chegar aos alunos que têm o gosto pela gastronomia e pela arte de bem servir. As áreas do Restaurante e do Bar assumem uma conotação bastante social. Quem pretende fazer carreira nestas áreas, deve ter algumas competências de comunicação, algo fundamental, uma vez que estarão, constantemente, em contacto com o público. Aqui, a exigência é superlativa. Nas áreas da Cozinha e da Pastelaria, os alunos devem ter uma maior aptidão para a criatividade. Devem conseguir trabalhar sob pressão. Se não possuírem essas competências, conseguirão adquiri-las ao longo do curso.

Como se tem desenvolvido o curso de Restauração ao longo dos anos na EPC?

– Temos tido a preocupação em acompanhar as tendências do setor. Nas áreas da Cozinha e da Pastelaria temos desenvolvido workshops em áreas temáticas como a gastronomia internacional, principalmente, sul-americana e asiática, com destaque para a cozinha japonesa, cada vez mais apreciada. Temos convidado chefs da nossa Região para desenvolverem connosco algumas ações, eventos gastronómicos e algumas masterclasses. Na área do Restaurante e do Bar temos recebido alguns brand ambassadors com quem os nossos alunos conseguem aprender de forma demonstrativa e ativa. Temos à disposição dos alunos um restaurante pedagógico com todas as condições de aprendizagem necessárias para desenvolverem as suas potencialidades.

Como espera ver a área da Restauração no futuro?

– Espero, sinceramente, que a área da Restauração recupere a sua dignidade profissional. A Restauração enfrenta, como outros setores, imensos desafios. “A vida está mais cara”, sentimos todos isso e a subida absurda do preço das matérias-primas reflete-se na conta final do cliente. Em muitos casos, houve apenas um ajuste na tabela dos preços e, mesmo assim, o número de clientes tem vindo a diminuir, colocando em causa a sobrevivência de alguns negócios. Temos verificado uma certa desvalorização da profissão, o que me entristece. Há uma falta evidente de profissionais qualificados, o que deveria ser uma oportunidade para os jovens recém-formados. A dicotomia entre a procura e a oferta nunca esteve tão desequilibrada. As empresas têm de encontrar novas formas de atrair os portugueses para este setor, novamente, para que possamos recuperar a nobreza desta profissão. Tenho-me apercebido de bastante negligência, falta de zelo e mesmo de capacidade, em alguns casos, nos serviços em geral, o que acaba por ser um paradoxo, face à enorme oferta de formação que existe nesta área. Sem ferir suscetibilidades, o recurso à mão-de-obra imigrante que assistimos é um penso rápido, na minha opinião. Tem vindo a resolver o problema da escassez da mão-de-obra disponível para trabalhar nesta área no imediato, isso é factual. Mas, a meu ver, existem outras questões que é preciso ponderar. É preciso mais sensibilidade por parte das entidades patronais para entender o afastamento dos portugueses (muitos deles qualificados) desta área. Mesmo os jovens, que até há pouco tempo estavam mais disponíveis para trabalhar nesta área, têm vindo a afastar-se, principalmente, pela questão dos horários. Esta geração privilegia mais o tempo do que o dinheiro. Há muitos empresários que ainda não compreenderam isso, mesmo acenando com valores médios acima do mercado. Se, por um lado, verificamos que os ordenados médios na restauração subiram ligeiramente, a questão dos horários repartidos indesejados não pode explicar todo este fenómeno.

* Paula Jorge nasceu em Moçambique e reside em São Pedro do Sul. É docente desde 1995 e o ensino é a sua paixão, bem como a cultura e as tradições da região de Lafões. Para além do ensino, a escrita é outro grande refúgio. É autora de 2 livros e participou em várias coletâneas. Aceitou o desafio de Diretora Pedagógica da Escola Profissional de Carvalhais no ano letivo 2022/2023 e desde então a EPC tem sido a sua segunda casa. Abraçou esta missão e é aqui que se encontra realizada.

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